Presidente do TSE rebate Lula e diz estranhar "acidez" das críticas ao Judiciário
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, rebateu hoje as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse ontem à noite que o Judiciário não deveria "meter o nariz" nas coisas do Executivo. Mello afirmou que "até certo ponto estamos acostumados com o estilo do presidente".
"Eu estranhei a acidez das colocações. Mas relevo porque o presidente estava num ambiente político. Mas eu, Marco Aurélio Mello, como ministro, não atuo em ambiente político", afirmou o presidente do TSE por telefone para a Folha Online.
Ontem à noite, Lula criticou Mello porque o ministro disse que iria analisar um eventual pedido dos partidos de oposição contra o caráter eleitoreiro do programa Territórios da Cidadania, lançado nesta semana. "De repente alguém fala que, se entrarem na Justiça, (ele) vai analisar. Na verdade, ele deu uma senha para o PSDB e para o DEM", disse Lula em referência a Mello durante cerimônia de inauguração de um viaduto em Aracaju (SE).
Lula afirmou ainda que não pode mais governar se não puder lançar programa social em ano de eleição. "Se a teoria dele valer, paramos de governar país. Não posso governar em ano de eleição presidencial e não posso governar no ano que tem eleição municipal. Me pergunto quando é que vamos governar o país?"
O presidente insinuou ainda que Mello tinha a pretensão de entrar na vida política. "Quem falou essa sandice [Mello]... Ele quer ser ministro da Suprema Corte ou quer ser político? Se quiser ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para falar as bobagens que quiser na hora que quiser", afirmou Lula.
"Seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele. Iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição para que democracia seja garantida. [...] O governo não se mete no Legislativo e não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite [nas coisas do outro], pode conturbar tranqüilidade que sociedade espera de nós", afirmou Lula.
Resposta
Mello negou que tenha interesse de entrar na política. "Da minha parte, não almejo nenhum cargo político, como penso que ele também não almeja cadeira no Judiciário. O presidente não precisa se preocupar."
O presidente do TSE afirmou que respeita que governo tenha vontade de ajudar os mais pobres. "O governo tem pretensões nos municípios. Indiretamente acaba beneficiando os candidatos dos partidos aliados", disse.
Segundo ele, a atuação do TSE é diferente dos demais órgãos do Judiciário. "O TSE funciona como órgão consultivo, mas não consegui evitar que em ano eleitoral não houvesse incremento de programas eleitorais."
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SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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