Lula diz que Judiciário não deve meter o nariz no Executivo e alfineta Mello
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem à noite o Judiciário e alfinetou o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, por questionar o programa Territórios da Cidadania, lançado nesta semana. Mello afirmou que o lançamento do programa em ano eleitoral poderia ser contestado judicialmente.
"E de repente alguém fala que se entrarem na Justiça vai analisar. Na verdade, ele deu uma senha para o PSDB e para o DEM", disse Lula durante cerimônia de inauguração de um viaduto em Aracaju (SE).
Lula afirmou ainda que não pode mais governar se não puder lançar programa social em ano de eleição. "Se a teoria dele valer, paramos de governar país. Não posso governar em ano de eleição presidencial e não posso governar no ano que tem eleição municipal. Me pergunto quando é que vamos governar o país?"
O presidente disse que o Judiciário não deveria se intrometer no Executivo. "Seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele. Iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição para que democracia seja garantida. [...] O governo não se mete no Legislativo e não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite [nas coisas do outro], pode conturbar tranqüilidade que sociedade espera de nós", afirmou Lula.
Lula insinuou ainda que Mello tinha a pretensão de entrar na vida política. "Quem falou essa sandice [Mello]... Ele quer ser ministro da Suprema Corte ou quer ser político? Se quiser ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para falar as bobagens que quiser na hora que quiser", afirmou Lula.
Na cerimônia, o presidente convocou os parlamentares presentes a fazer cumprir o papel do Legislativo. "Meus companheiros deputados e senadores, eu acho que vocês têm um papel a cumprir. Mais do que apoiar o meu governo e mais do que votar contra os que votam contra, é de fazer valer o Poder Legislativo brasileiro, que faz as leis. O Poder Judiciário interpreta as leis, não faz leis. Então, é preciso que a gente reordene as instituições brasileiras para que elas funcionem cada vez mais, democráticas e cada vez mais harmoniosas."
Oposição
Lula criticou ainda a oposição por questionar na Justiça a ampliação de programas sociais, como o Bolsa Família e o Pronasci (Programa Nacional de Segurança e Cidadania).
Ele afirmou que a oposição pensou que iria derrotar o governo quando acabou com a CPMF, no ano passado. "A oposição, quando derrotou a CPMF, pensou: 'matamos o Lula, matamos o PAC da Saúde', acabamos com o PAC da Saúde'. Eles não sabem que o nordestino que não morre de fome até os cinco anos de idade, não se curva diante da truculência da oposição, seja ela de direita ou de esquerda."
"Sabemos como fazer, sabemos como enfrentar a burocracia, sabemos como articular com a oposição. Quando eu falo de oposição, falo porque fui oposição a minha vida inteira. Eu também era assim: a gente trabalha para evitar que o governo dê certo, a gente fica torcendo contra. É como um jogador de bola que está na reserva, no banco. Ele parece amigo do outro, mas ele está doidinho para o outro se machucar para ele entrar no lugar dele. A oposição fica torcendo para a gente errar", disse o presidente.
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