Brasil
03/03/2008 - 13h23

Brasil deve exercer papel de líder e mediar crise entre Colômbia, Venezuela e Equador, diz Chinaglia

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse hoje que o Brasil deve exercer seu papel de liderança para evitar que a crise entre a Colômbia, Equador e Venezuela traga prejuízos para a região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve discutir o tema hoje, por telefone, com a presidente argentina, Cristina Kirchner.

"Eu acho que a mediação é necessária e tem que ser consentida. A atitude do Brasil de buscar a mediação, ao lado de outros países, é medida eficaz", disse Chinaglia.

Apesar de defenderem a atuação do Brasil como mediador do conflito, os parlamentares defendem que o país fique neutro nessa disputa. Ou seja, não tome partido nem da Colômbia nem do Equador e da Venezuela. "Ninguém media tornando pública a sua posição. É necessário saber como as coisas aconteceram", afirmou Chinaglia.

O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), também defendeu que o Brasil não tome partido na crise. "A relação do Brasil na política externa sempre é multipolar, não tem que adotar um lado de A ou B. Vamos continuar trabalhando com o objetivo de se encontrar uma saída pacífica e negociada", afirmou.

A crise teve início depois do ataque militar colombiano em território equatoriano na madrugada do sábado, que provocou a morte do porta-voz internacional e número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes.

Chávez, que é aliado do presidente do Equador, Rafael Correa, se envolveu no conflito, ordenou o fechamento da embaixada em Bogotá --sem titular desde o final de novembro do ano passado--, e disse ter enviado dez batalhões para a fronteira com a Colômbia.

Correa, por sua vez, também anunciou a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia em Quito, Carlos Holguín, após a retirada de seu embaixador em Bogotá, Francisco Suéscum, e solicitou uma reunião urgente da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da CAN (Comunidade Andina de Nações) para tratar do ataque colombiano ao território equatoriano.

Oposição

Os parlamentares da oposição também defendem uma postura neutra do governo brasileiro para ajudar a solucionar a crise entre Equador, Colômbia e Venezuela, que teve início neste final de semana. Senadores do DEM e PSDB avaliam que, apesar da proximidade entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Hugo Chávez, seria "desastroso" neste momento o Brasil tomar partido na crise.

"Eu creio que a tentativa de encontrar uma solução negociada é responsável. Mas qualquer solidariedade ao presidente Chávez seria um desastre. Ele é um barril de pólvora em permanente ameaça de explosão", disse à Folha Online o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que o Brasil deve buscar uma solução negociada para evitar que a crise traga impactos à estabilidade política na América do Sul.

"O combate ao terrorismo não justifica a invasão do espaço aéreo de outro país. Mas o Brasil deve encontrar caminhos para a negociação. Seria um grande erro [ficar ao lado de Chávez]. O Brasil tem tradição de negociador para ajudar na solução", afirmou à Folha Online.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o Brasil não deve apoiar a Colômbia caso fique comprovado que houve invasão do país pelos colombianos. Mas defendeu o diálogo para evitar uma crise ainda maior na América do Sul. "Se confirmada a invasão da Colômbia ao território equatoriano, não devemos apoiar isso de maneira nenhuma. Mas isso não justifica atitudes belicistas por parte da Venezuela", defendeu.

Comentários dos leitores
porfirio sperandio (316) 08/03/2008 09h33
porfirio sperandio (316) 08/03/2008 09h33
BRAGANCA PAULISTA / SP
O Modena e o Carlos Lobitsky merecem uma estrela no premio de Gramado pela articulacao e outra pelo enredo. To pra ver clareza de ideias, informacao e inteligencia nos comentarios sobre a crise da Colombia ...

O Uribe na verdade tava com medo do Reyes virar Presidente com articulacao do Sarkozi ...
Como os Bush negaram suporte (na imprensa, fala sempre bebado, quando melhora diz outra coisa) e o McCain ja' disse que vai acabar com a economia de guerra; Uribe tratou logo de seguir o conselho do Amorin: dar um abracao no Correa e no Chaves ...
Ate' lagrimas de crocodilo cairam dos seus olhos ...
E assim o Brasil vai se firmando como lider na America do Sul, com motores franceses e engenharia da casa...
14 opiniões
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josé reis barata barata (1421) 07/03/2008 08h19
josé reis barata barata (1421) 07/03/2008 08h19
ARACAJU / SE
Correção indispensável ao final da citação (Rousseau pode considerar o erro, de cópia,mais deplorável ainda):"...infelicidade de VIVER depois de ti." 26 opiniões
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josé reis barata barata (1421) 07/03/2008 08h06
josé reis barata barata (1421) 07/03/2008 08h06
ARACAJU / SE
Senador Demóstenes Torres, minha admiração e respeito:
Com atenção foi que escutei seu pronunciamento de ontem sobre Colômbia, Equador e o intrometido.
Concordo até mesmo quanto à dúbia, sem surpresa, e prejudicial decisão da OEA.O mundo, por menos o que observamos, carece de coragem política, de uma nova diplomacia,somente com fonte em mentes originais;raras e , por natureza, rejeitadas.Extirpar tudo que usa a força física como argumento;hoje, creio, não é tão racional; quanto, ontem, pensava.Esforço-me por afastar o cruel determinismo histórico, mas...a diplomacia do fuzil cada vez mais se mostra evidente em potência, capacidade e eficácia.Fechar os olhos a isto é impossível e perigoso ante o espectro ofuscante e iminente;perante a clareza do potencial bélico da maior e inalcançável diplomacia do universo.
Não seria hora de o mundo discutir isto?
Gostaria que não fosse assim e como no lamento de Rousseau:"Tu procurarás a idade na qual desejarias que tua espécie tivesse parado.Descontente com teu estado atual por razões que anunciam a tua posteridade infeliz maiores descontentamentos ainda, talvez quisesses retrogredir e esse sentimento deve constituir o elogio de teus (do homem) primeiros ancestrais, a crítica de teus contemporâneos e o espanto daqueles que tiverem a infelicidade depois de ti.".
Infeliz e correta prescrição!
Não seria hora de o mundo discutir uma nova diplomacia?
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