Lula discute tensão entre Colômbia, Equador e Venezuela em reunião de coordenação
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O conflito entre a Colômbia, Venezuela e Equador foi o principal tema da reunião de coordenação política realizada hoje no Palácio do Planalto. De acordo com interlocutores do Palácio, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, participou da reunião.
Amorim fez um relato sobre o assunto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos demais ministros durante a reunião de coordenação política. Amorim não faz parte do grupo de ministros que sempre participa da reunião de coordenação.
Segundo interlocutores do Palácio, Lula teria pedido a Amorim que reunisse o maior número de informações sobre o caso para se pronunciar depois sobre o tema no Itamaraty.
O presidente Lula deve conversar nesta segunda-feira, por telefone, com a presidente argentina, Cristina Kirchner, sobre o conflito entre Equador e Colômbia após a morte de "Raúl Reyes", porta-voz das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e considerado o "número dois" da guerrilha. Segundo o blog do Josias, Lula cogita mediar o conflito.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse hoje que o Brasil deve exercer seu papel de liderança para evitar que a crise entre a Colômbia, Equador e Venezuela traga prejuízos para a região. "Eu acho que a mediação é necessária e tem que ser consentida. A atitude do Brasil de buscar a mediação, ao lado de outros países, é medida eficaz", disse Chinaglia.
Apesar de defenderem a atuação do Brasil como mediador do conflito, os parlamentares defendem que o país fique neutro nessa disputa. Ou seja, não tome partido nem da Colômbia nem do Equador e da Venezuela. "Ninguém media tornando pública a sua posição. É necessário saber como as coisas aconteceram", afirmou Chinaglia.
O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), também defendeu que o Brasil não tome partido na crise. "A relação do Brasil na política externa sempre é multipolar, não tem que adotar um lado de A ou B. Vamos continuar trabalhando com o objetivo de se encontrar uma saída pacífica e negociada", afirmou.
A crise teve início depois do ataque militar colombiano em território equatoriano na madrugada do sábado, que provocou a morte do porta-voz internacional e número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes.
Chávez, que é aliado do presidente do Equador, Rafael Correa, se envolveu no conflito, ordenou o fechamento da embaixada em Bogotá --sem titular desde o final de novembro do ano passado--, e disse ter enviado dez batalhões para a fronteira com a Colômbia.
Correa, por sua vez, também anunciou a "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia em Quito, Carlos Holguín, após a retirada de seu embaixador em Bogotá, Francisco Suéscum, e solicitou uma reunião urgente da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da CAN (Comunidade Andina de Nações) para tratar do ataque colombiano ao território equatoriano.
Leia mais
- Blog do Josias: Lula cogita mediar conflito de Equador e Colômbia
- Colômbia diz ter provas da ligação do Equador com as Farc
- Equador expulsa embaixador da Colômbia e envia tropas à fronteira
- Chávez fecha embaixada em Bogotá e mobiliza tropas na fronteira
- Chávez adverte contra ação anti-Farc na Venezuela
Especial


Como os Bush negaram suporte (na imprensa, fala sempre bebado, quando melhora diz outra coisa) e o McCain ja' disse que vai acabar com a economia de guerra; Uribe tratou logo de seguir o conselho do Amorin: dar um abracao no Correa e no Chaves ...
Ate' lagrimas de crocodilo cairam dos seus olhos ...
E assim o Brasil vai se firmando como lider na America do Sul, com motores franceses e engenharia da casa...
avalie fechar
avalie fechar
Com atenção foi que escutei seu pronunciamento de ontem sobre Colômbia, Equador e o intrometido.
Concordo até mesmo quanto à dúbia, sem surpresa, e prejudicial decisão da OEA.O mundo, por menos o que observamos, carece de coragem política, de uma nova diplomacia,somente com fonte em mentes originais;raras e , por natureza, rejeitadas.Extirpar tudo que usa a força física como argumento;hoje, creio, não é tão racional; quanto, ontem, pensava.Esforço-me por afastar o cruel determinismo histórico, mas...a diplomacia do fuzil cada vez mais se mostra evidente em potência, capacidade e eficácia.Fechar os olhos a isto é impossível e perigoso ante o espectro ofuscante e iminente;perante a clareza do potencial bélico da maior e inalcançável diplomacia do universo.
Não seria hora de o mundo discutir isto?
Gostaria que não fosse assim e como no lamento de Rousseau:"Tu procurarás a idade na qual desejarias que tua espécie tivesse parado.Descontente com teu estado atual por razões que anunciam a tua posteridade infeliz maiores descontentamentos ainda, talvez quisesses retrogredir e esse sentimento deve constituir o elogio de teus (do homem) primeiros ancestrais, a crítica de teus contemporâneos e o espanto daqueles que tiverem a infelicidade depois de ti.".
Infeliz e correta prescrição!
Não seria hora de o mundo discutir uma nova diplomacia?
avalie fechar