Igreja Nossa Senhora do Carmo reabre para o bicentenário da chegada da corte portuguesa
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online
A igreja Nossa Senhora do Carmo, a antiga catedral do Rio de Janeiro, será reinaugurada neste sábado (08) depois de ficar fechada por 18 meses para passar por uma restauração. O local, erguido em 1761, foi escolhido pela Prefeitura do Rio de Janeiro como símbolo do desembarque da família real portuguesa na cidade em março de 1808.
| Pedro Carrilho/Folha Imagem |
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| Igreja Nossa Senhora do Carmo será reaberta ao público após restauração |
Para que a igreja estivesse pronta para as comemorações da chegada da corte portuguesa, a Prefeitura do Rio e a Fundação Roberto Marinho fecharam a igreja em setembro de 2006 para o início das restaurações.
A equipe, que chegou a contar com 30 pessoas, restaurou os relevos da talha em madeira, aplicou novas camadas de ouro onde faltava, limpou e recuperou pinturas e imagens, como a de Nossa Senhora do Carmo, que fica no altar principal.
A ornamentação da igreja é predominantemente rococó, um estilo muito comum no século 18, mas que sofreu algumas modificações em 1905, quando o cardeal Arcoverde --o primeiro cardeal da América do Sul-- comandou uma reforma em estilo eclético na fachada principal.
| Pedro Carrilho/Folha Imagem |
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| Igreja Nossa Senhora do Carmo será reaberta ao público após restauração |
"A última grande reforma aconteceu em 1922, ainda sobe ordens de Arcoverde", diz o secretário André Zambelli, da Secretaria Extraordinária do Patrimônio Cultural.
A prefeitura decidiu aproveitar as obras de restauração e iniciar escavações arqueológicas no mesmo local. "A intenção é que as escavações revelem fatos novos da historia carioca", afirma o secretário.
Os trabalhos começaram em março do ano passado e seguiram até junho. Recomeçaram em setembro e foram concluídas em dezembro.
Os arqueólogos encontraram cinco construções anteriores a atual, além uma aldeia tupi-guarani e mais de 70 ossadas. "A igreja foi usada para sepultamento até o século 19", diz o arqueólogo Ondemar Dias, do IAB (Instituto de Arqueologia Brasileira).
As escavações também descobriram uma paliçada, uma espécie de muro formado por toras de madeira. "O local foi utilizado durante a guerra de conquista entre portugueses e franceses antes mesmo da fundação do Rio", afirma Dias.
"Os visitantes poderão acompanhar uma exposição permanente com as obras da igreja, a historia do prédio e os achados arqueológicos", diz Zambelli.
Também começou a funcionar uma projeção nas paredes da nave principal que conta a história da antiga Sé com direito a fundo musical e locução. "Não basta restaurar o patrimônio, é preciso informar os visitantes sobre sua importância. Quanto mais se conhece, melhor se cuida", afirma Zambelli.
A restauração e as escavações nos templos consumiram R$ 11,5 milhões de reais, informa o secretário.
História
A igreja Nossa Senhora do Carmo foi escolhida pela prefeitura do Rio como o símbolo das comemorações do bicentenário da chegada da família real portuguesa ao Brasil por sua relação com o episódio que influenciou o futuro da então colônia.
"Foi d. João que elevou o templo à condição de Capela Real já em 1808", diz o secretário. Em seguida, o príncipe regente o transformou em catedral da cidade. "Ele escolheu aquela igreja porque ela ficava em frente ao Paço Imperial, sua residência oficial."
Aquela foi a única igreja no continente americano que serviu de palco para a coroação de reis. Foi lá que o próprio d. João, d. Pedro 1º e d. Pedro 2º foram sagrados imperadores. Também foi lá que a maior parte da família real foi batizada. Lá estão os restos mortais de Pedro Álvares Cabral.
O local, que foi a catedral do Rio de Janeiro até 1976, foi tombado pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1941.
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