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Brasil
07/03/2008 - 11h02

Igreja Nossa Senhora do Carmo reabre para o bicentenário da chegada da corte portuguesa

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online

A igreja Nossa Senhora do Carmo, a antiga catedral do Rio de Janeiro, será reinaugurada neste sábado (08) depois de ficar fechada por 18 meses para passar por uma restauração. O local, erguido em 1761, foi escolhido pela Prefeitura do Rio de Janeiro como símbolo do desembarque da família real portuguesa na cidade em março de 1808.

Pedro Carrilho/Folha Imagem
Igreja Nossa Senhora do Carmo será reaberta ao público após restauração
Igreja Nossa Senhora do Carmo será reaberta ao público após restauração

Para que a igreja estivesse pronta para as comemorações da chegada da corte portuguesa, a Prefeitura do Rio e a Fundação Roberto Marinho fecharam a igreja em setembro de 2006 para o início das restaurações.

A equipe, que chegou a contar com 30 pessoas, restaurou os relevos da talha em madeira, aplicou novas camadas de ouro onde faltava, limpou e recuperou pinturas e imagens, como a de Nossa Senhora do Carmo, que fica no altar principal.

A ornamentação da igreja é predominantemente rococó, um estilo muito comum no século 18, mas que sofreu algumas modificações em 1905, quando o cardeal Arcoverde --o primeiro cardeal da América do Sul-- comandou uma reforma em estilo eclético na fachada principal.

Pedro Carrilho/Folha Imagem
Igreja Nossa Senhora do Carmo será reaberta ao público após restauração
Igreja Nossa Senhora do Carmo será reaberta ao público após restauração

"A última grande reforma aconteceu em 1922, ainda sobe ordens de Arcoverde", diz o secretário André Zambelli, da Secretaria Extraordinária do Patrimônio Cultural.

A prefeitura decidiu aproveitar as obras de restauração e iniciar escavações arqueológicas no mesmo local. "A intenção é que as escavações revelem fatos novos da historia carioca", afirma o secretário.

Os trabalhos começaram em março do ano passado e seguiram até junho. Recomeçaram em setembro e foram concluídas em dezembro.

Os arqueólogos encontraram cinco construções anteriores a atual, além uma aldeia tupi-guarani e mais de 70 ossadas. "A igreja foi usada para sepultamento até o século 19", diz o arqueólogo Ondemar Dias, do IAB (Instituto de Arqueologia Brasileira).

As escavações também descobriram uma paliçada, uma espécie de muro formado por toras de madeira. "O local foi utilizado durante a guerra de conquista entre portugueses e franceses antes mesmo da fundação do Rio", afirma Dias.

"Os visitantes poderão acompanhar uma exposição permanente com as obras da igreja, a historia do prédio e os achados arqueológicos", diz Zambelli.

Também começou a funcionar uma projeção nas paredes da nave principal que conta a história da antiga Sé com direito a fundo musical e locução. "Não basta restaurar o patrimônio, é preciso informar os visitantes sobre sua importância. Quanto mais se conhece, melhor se cuida", afirma Zambelli.

A restauração e as escavações nos templos consumiram R$ 11,5 milhões de reais, informa o secretário.

História

A igreja Nossa Senhora do Carmo foi escolhida pela prefeitura do Rio como o símbolo das comemorações do bicentenário da chegada da família real portuguesa ao Brasil por sua relação com o episódio que influenciou o futuro da então colônia.

"Foi d. João que elevou o templo à condição de Capela Real já em 1808", diz o secretário. Em seguida, o príncipe regente o transformou em catedral da cidade. "Ele escolheu aquela igreja porque ela ficava em frente ao Paço Imperial, sua residência oficial."

Aquela foi a única igreja no continente americano que serviu de palco para a coroação de reis. Foi lá que o próprio d. João, d. Pedro 1º e d. Pedro 2º foram sagrados imperadores. Também foi lá que a maior parte da família real foi batizada. Lá estão os restos mortais de Pedro Álvares Cabral.

O local, que foi a catedral do Rio de Janeiro até 1976, foi tombado pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1941.

 

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