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Brasil
05/03/2008 - 21h56

Lupi recebe apoio da Executiva do PDT e adia saída da presidência do partido

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) decidiu nesta quarta-feira adiar o anúncio de seu afastamento da presidência do PDT depois de receber o apoio da Executiva Nacional ampliada do partido para que permaneça no cargo. Nos bastidores, porém, Lupi já está convencido de que se licenciará do comando do partido nos próximos dias --apesar de negar oficialmente essa versão.

Antes de anunciar a sua decisão, Lupi vai se encontrar com o novo presidente da Comissão de Ética Pública do governo, Sepúlveda Pertence. O ministro disse que terá uma negociação "diferenciada" com Pertence pelo seu histórico como ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Sob o comando de Marcílio Marques Moreira, que já deixou o cargo, a comissão sugeriu que Lupi deixe a presidência do PDT, ou o próprio ministério, porque vê incompatibilidade nas duas funções.

"Eu vou procurar o ministro Sepúlveda e buscar caminhos que sejam melhores para o meu partido e para o presidente Lula, a quem devo lealdade. Os caminhos, vou encontrar caminhando. Eu não tenho nenhum tipo de predisposição. Da conversa com Sepúlveda, poderei convencer ou ser convencido", afirmou.

A Folha Online apurou que Lupi não quis se afastar nesta quarta-feira porque ficou irritado com a pressão de integrantes do governo para deixar a presidência do PDT. O ministro José Múcio (Relações Institucionais) e Moreira já defenderam publicamente que Lupi tire licença do cargo.

O ministro disse ser vítima de uma das "maiores perseguições" que já presenciou no país. Mas afirmou que, apesar da pressão para deixar o cargo, o PDT permanecerá na base de apoio do presidente Lula. "O apelo do presidente [para que fique no ministério], eu fico muito sensibilizado. Agora, não vou me pautar por aquilo que querem as pessoas que não gostam do trabalhismo nem do PDT."

Benefícios

Lupi recebeu a solidariedade da executiva do PDT, apesar de alguns integrantes defenderem a sua licença do comando do partido. "O PDT se sente atingido por tudo isso. O partido quer continuar com a sua bandeira limpa", disse o senador Osmar Dias (PDT-PR).

Na defesa de Lupi, o secretário-executivo do PDT, Manoel Dias, disse não ver irregularidade nas denúncias de que Lupi teria beneficiado entidades ligadas ao partido como ministro. "Qual é o ministro que não beneficiou um partido no exercício do seu mandato? É natural. Eu não defendo a licença, tudo vai ser esclarecido", afirmou.

 

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