Museu Nacional entra na rota das comemorações da chegada da corte portuguesa
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online
O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro completa 190 anos em junho. Fundada por d. João 6º durante o período em que a corte portuguesa esteve no Brasil, a instituição se aproxima do bicentenário com o principal acervo científico da América Latina.
| Reprodução |
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| Antiga fachada do Museu Nacional |
O museu conta com 20 milhões de itens. "A maior parte trata de história natural e antropológica", afirma Thereza Baumann, museóloga e historiadora da instituição.
O acervo ganhou importância ainda no período joanino com a chegada da Missão Científica ao Brasil, em 1817. "Foi a dona Maria Leopoldina, a futura mulher de d. Pedro 1º, que trouxe a missão com naturalistas de diversas partes do mundo", diz a historiadora.
Esses profissionais percorriam o Brasil colhendo amostras de plantas, animais e minerais e entregavam parte das descobertas ao museu.
História
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| Fachada atual do Museu Nacional |
No dia 6 de junho de 1818 d. João 6º fundou o então Museu Real no Campo de Sant'Anna, no centro do Rio de Janeiro. O local só foi aberto ao público em 1921.
"A fundação do museu fazia parte da intenção da coroa de dar uma feição de nação à antiga colônia", afirma Thereza. "É por isso que na carta de sua criação, d. João fala em compromisso com a ciência e o progresso."
As primeiras coleções do museu foram amostras botânicas e minerais-- como topázio, ametistas, cristais e quartzo--, além de animais empalhados e obras de arte, como um trono africano doado pelo reino de Daomé, na África.
Mas uma das principais atrações do museu é o prédio em que ele está hoje: o Paço de São Cristóvão, a antiga residência de campo de d. João e depois o palácio oficial dos imperadores do Brasil.
Foi no ano de 1892 que os primeiros republicanos tiraram o museu do Campo de Sant'Anna e o instalou no Paço. "A República não queria se instalar no prédio que serviu de moradia ao imperador deposto", diz a historiadora. "A idéia de transferir o museu partiu de seu então diretor, João Batista Lacerda, que desejava um espaço maior para o acervo."
O Paço de São Cristóvão era uma antiga propriedade jesuítica desapropriada e transformada na fazenda de São Cristóvão. Um dos lotes ficou com Elias Antônio Lopes em 1803, que, em troca de benefícios, ofereceu a casa que construiu a d. João quando a corte desembarcou no Brasil em 1808.
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| Decreto de fundação do Museu Nacional |
Quando a monarquia foi derrubada em 1889, a Assembléia Constituinte foi para o palácio e formulou ali a primeira Carta Magna Republicana.
Em maio de 1938 o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) finalmente tombou o prédio. O museu também foi incorporado à Universidade do Brasil em 1946, que hoje é a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Comemorações
Para comemorar o desembarque da família real portuguesa no Brasil e o aniversário de seus 190 anos, o Museu preparou alguns eventos.
Em junho, serão montadas duas tendas no parque da Quinta da Boa Vista. Batizado de "Ciência na Quinta", o evento contará com mostras, oficinas, musicais, encenações de teatro e palestras. "Tudo relacionado à produção científica da instituição e aos 200 anos da chegada da família real", informa o Museu.
Em agosto, será inaugurado o "Circuito Histórico". Por meio dele, o visitante saberá como alguns cômodos do palácio eram ocupados pela família real. No mesmo mês, deve ser concluída a restauração da fachada do museu.
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