Brasil
07/03/2008 - 11h18

Via Campesina ocupa empresa Monsanto em São Paulo

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da Folha Online

Mulheres da Via Campesina ocuparam na manhã desta sexta-feira uma unidade de pesquisa biotecnológica da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras (244 km ao norte de São Paulo).

Segundo o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a Via Campesina protesta contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança).

O movimento afirma que a liberação dessas variedades demonstra que o governo Luiz Inácio Lula da Silva fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a reforma agrária e a agricultura familiar.

Para os sem-terra, a expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos.

De acordo com o MST, a Via Campesina denuncia que os "transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial".

Outro lado

Em nota divulgada hoje, a Monsanto "condena veementemente atos ilegais como este, inclusive desrespeitando recentes decisões do Poder Judiciário".

"A empresa acredita que, num regime democrático como o que vivemos, discordâncias --ideológicas ou não-- devem ser expressas por meio dos caminhos legais e de livre forma de expressão e não por meio de atentados aos indivíduos e à propriedade privada."

Segundo a empresa, a biotecnologia é uma tecnologia que contribui para uma agricultura sustentável e com menor uso de agroquímicos.

"É aprovada no Brasil, onde três culturas já tiveram pareceres conclusivos [técnicos e socioeconômicos] emitidos pelos órgãos federais competentes para tal, a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, composta por 27 cientistas] e o CNBS [formado por 11 ministros]. Seus benefícios já promovem soluções sustentáveis para o meio ambiente e para a agricultura no Brasil e no mundo, como mostram diversos estudos científicos e socioambientais."

Para a empresa, o segmento de pequenos agricultores é um dos que mais poderia se beneficiar da biotecnologia, como já têm demonstrado os exemplos no Brasil no exterior. "A Monsanto permanece aberta ao diálogo, dentro dos canais e meios legais, para expor resultados e possibilidades envolvendo a biotecnologia agrícola, e seus benefícios para o meio ambiente e para a sociedade."

Comentários dos leitores
Luís da Velosa (1394) 13/11/2009 17h54
Luís da Velosa (1394) 13/11/2009 17h54
Não somente os repasses do governo ao MST devem ser investigados, seria uma estultícia. Mas, sobretudo, o "movimento" daqueles que querem a Reforma Agrária na "marra". Nós desejamos a RA, mas dentro dos limites desses mesmos desejos. Não é uma RA à "bangu", mas uma RA que contemple aos que deveras precisamos nas terras para ará-las, cultivarem-nas, dando retorno a si e à sociedade. O problema dos repasses, sério, mas não somente eles. Somos um povo pacífico e não queremos a babárie, a desumanidade. Desejamos fôlego para todos nós. Chega de violências de toda ordem. Basta de sangue, pois, já o doamos e nos tomaram de sobra, em transfusões das menos dignas. sem opinião
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Elza Miranda Cardoso (254) 13/11/2009 17h06
Elza Miranda Cardoso (254) 13/11/2009 17h06
Como quaisquer criminosos...
Diga-me com quem andas....
sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2735) 13/11/2009 11h41
Antonio Fouto Dias (2735) 13/11/2009 11h41
Invasões e mais invasões, e o governo não faz nada, pelo contrário, sua inércia nos leva a entender de que está mais para conivente do que para fiscalizador ou controlador de situações nesses atos de vandalismo.
Querer um local para residir e obter o sustento de suas famílias é uma coisa, invadir propriedades de terceiros é outra bem diferente.
A falta de vontade do governo para a solução desses problemas de reforma agrária é gritante e, enquanto isso, os integranntes do MST e semelhantes não tem limites para agir em propriedades alheias.
2 opiniões
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