Via Campesina ocupa ferrovia da Vale em MG; empresa repudia ação
da Folha Online
Mais de mil mulheres da Via Campesina de Minas Gerais e Espírito Santo ocuparam na manhã desta segunda-feira, segundo o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), os trilhos de uma das principais ferrovias da mineradora Vale, que corta o município de Resplendor (MG).
Segundo a Polícia Militar, são cerca de 600 os manifestantes no local. O MST afirmou que o objetivo da manifestação é denunciar que a construção da barragem de Aimorés, pela Vale e Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), inviabiliza o sistema de esgoto da cidade.
Segundo o movimento, a Vale é uma das principais responsáveis pela destruição do meio ambiente em Minas e pela concentração de terras, por meio do plantio de eucalipto em larga escala.
Outro lado
Em nota divulgada hoje, a Vale repudia a manifestação e afirma que a EFVM (Estrada de Ferro Vitória-Minas) teve sua operação paralisada, além de os manifestantes terem arrancado placas de sinalização da ferrovia e jogado pneus sobre a linha.
A Vale informa que, com a paralisação dos serviços, cerca de 300 mil toneladas de minério de ferro deixarão de ser transportadas por dia pela ferrovia, que tem 905 km de extensão e corta 51 municípios nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
"Esta invasão também ocasiona a paralisação do transporte de passageiros. Diariamente, cerca de 2,5 mil pessoas são atendidas por dois trens que partem de Vitória e Belo Horizonte, podendo chegar a 3 mil pessoas em períodos de pico, como os meses de janeiro e julho. O trem de passageiros passa por 29 municípios."
Na nota, a empresa informa ainda que tomará medidas para preservar suas instalações, a segurança de suas operações e de seus empregados, pois cabe aos governos estadual e federal a condução do processo de negociação com os manifestantes.
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