Cabral passa quase o mesmo tempo que Lula no exterior
RAPHAEL GOMIDE
SERGIO TORRES
da Folha de S.Paulo, no Rio
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), embarcou no sábado para viagem internacional por Japão e Coréia, completando sua décima viagem internacional oficial desde que assumiu o cargo. No ano passado, Cabral passou no exterior mais tempo que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Cabral esteve fora 62 dias; Lula, 61. O governo do Rio informa que o resultado das viagens de Cabral já são evidentes para o Estado. "Houve conquista de novos investimentos privados e parcerias públicas entre o estado e governos regionais."
As viagens internacionais e nacionais do peemedebista e de suas comitivas custaram aos cofres do Estado ao menos R$ 312 mil, entre passagens e diárias, segundo pesquisa no Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios.
A viagem durará 13 dias com compromissos no Japão e na Coréia do Sul. Na pauta, encontros com empresários locais supostamente interessados em investir no Estado do Rio.
De acordo com o governo estadual, só as viagens para o exterior do governador com sua comitiva no ano passado custaram R$ 294.419,11. A assessoria disse que o governador se desloca pelo Brasil em jato privê, mas não informou os gastos em viagens no país.
Segundo a assessoria de imprensa do governo, as passagens aéreas para o exterior pagas para Cabral e suas comitivas nas viagens internacionais em 2007 custaram R$ 178.419,11, e as diárias, mais R$ 116.420,00.
No ano passado, o primeiro de seu mandato, ele visitou sete diferentes países a trabalho, além da França e da ilha de Saint-Barth, no Caribe, em férias, de uma semana cada uma. Esteve também na Inglaterra em junho, como convidado de Lula para a partida entre as seleções do Brasil e da Inglaterra, que marcou a reabertura no estádio de Wembley.
Os 62 dias do governador no exterior em 2007 superam as viagens de Lula em três anos, se comparados individualmente: 2004 (40 dias), 2005 (55 dias) e 2006 (33). O seu "mais recente amigo de infância", como Cabral se referiu a Lula, foi o presidente brasileiro que mais viajou na história.
A Resolução nº 100 da Secretaria de Fazenda do Estado, de dezembro de 2007, estabelece as atuais diárias do governo em R$ 242,46 para hospedagem e alimentação e R$ 109,11 somente para alimentação, no caso de secretários de Estado, subsecretários e cargos equivalentes.
Entretanto, de acordo com a assessoria de imprensa do governo, o valor das diárias varia conforme o destino, a necessidade e o período de permanência no país, e "não há diferença entre as diárias do governador, dos secretários e demais integrantes da comitiva".
O período passado por Cabral no exterior supera ainda a média anual de viagens de Lula nos primeiros cinco anos de mandato (50,4 dias) e a de Fernando Henrique Cardoso --alvo de humor do programa Casseta & Planeta, com o personagem "Viajando Henrique Cardoso"--, que viajou 351 dias, em oito anos de mandato (média de 43,8 dias por ano).
A preferência pelo exterior levou o gabinete do governador do Estado do Rio a gastar muito mais recursos fora do Brasil que dentro.
Nas viagens de trabalho, o governador gastou em média 5,8 dias em cada país visitado. Em abril, por exemplo, ficou mais tempo fora do país do que no Rio de Janeiro.
Até o fim de setembro de 2007, Cabral havia passado 54 dias (20,5%) de 264 no exterior, ou um a cada cinco dias fora do Brasil em seu mandato. Até o fim do ano, porém, só viajou mais uma vez --em outubro, para a Suíça, onde passou sete dias--, para promover a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Assim, reduziu as viagens e sua média caiu para 17% dos 365 dias do ano fora do país, ou um a cada 6,2 dias.
Segundo Sérgio Cabral, o objetivo é atrair investimentos para o Estado. O governador fluminense visitou a trabalho Colômbia, Estados Unidos, França (uma vez a passeio e outra a trabalho), Argentina, Portugal, Itália e Suíça, além de ter tirado duas férias para passeios internacionais particulares.
Já antes de assumir o cargo, quando montava sua equipe, ele foi aos Estados Unidos, a convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em Washington, convidou o executivo do anfitrião, o então vice-presidente do BID, Joaquim Levy, para ser seu secretário da Fazenda.
No Senado, onde cumpriu parte do mandato antes de ser eleito governador, Cabral era um parlamentar ausente. Em 2006, até agosto, havia faltado a 52% das sessões. Somadas as 178 faltas da legislatura, desde 2003, esteve no plenário em pouco mais de um terço das votações (35,8%).
O interesse do governador nas relações exteriores o levou a elevar o status da antes Coordenadoria de Assuntos Internacionais, subordinada à Secretaria do Planejamento. No lugar, foi criada a Subsecretaria de Relações Internacionais, que integra a Casa Civil.
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