Manifestantes liberam ferrovia; Vale chama protesto de "ato criminoso"
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A Vale informou nesta segunda-feira que os manifestantes da Via Campesina desocuparam a ferrovia Vitória-Minas, na altura do município de Resplendor (MG). As atividades no local continuam interrompidas por causa da manifestação.
Segundo a Vale, o maquinista Pedro de Jesus Simões, 63, foi feito refém por quase 12 horas pelos manifestantes e ficou sem poder sair de uma locomotiva --ele já foi libertado. Em nota, a Via Campesina informa que a ocupação dos trilhos da Vale "ocorreu de forma pacífica".
A Via Campesina também nega ter feito um maquinista refém. "Não houve reféns no protesto, respeitando os direitos humanos dos funcionários da empresa, que puderam sair da área logo depois da ocupação dos trilhos da empresa", diz a nota da Via Campesina.
De acordo com o movimento, o objetivo do protesto era "denunciar os impactos sociais e ambientais da construção da barragem de Aimorés, no Rio Doce".
Ato criminoso
O diretor-executivo de assuntos corporativos e energia da companhia, Tito Martins, disse que a Vale estuda processar representantes nacionais do MST. "Estamos estudando acionar juridicamente os responsáveis por este episódio em todas as esferas", disse Martins, que chamou o ato de criminoso.
"O que existe é um ato criminoso. São bandidos. Claramente é um grupo organizado, planejado, político. Há mais de 15 ônibus lá com manifestantes. O MST está sem bandeira e está usando a Vale como um instrumento de pressão e divulgação", disse ele.
Em resposta à acusação do MST de que a construção da barragem de Aimorés (MG) pela Vale inviabiliza o sistema de esgoto da cidade, a Vale afirmou que, apesar de a medida ser de responsabilidade da prefeitura de Resplendor, está colaborando com o projeto, que está em fase de conclusão.
O diretor Tito Martins disse ainda que não há possibilidade de negociação. "O que eles estão reivindicando, nós não reconhecemos como legítimo."
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