Brasil
11/03/2008 - 02h30

OEA questiona Brasil sobre liberdade de expressão

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SÉRGIO DÁVILA
da Folha de S.Paulo, em Washington

A Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos questionou ontem o governo brasileiro sobre a situação da liberdade de expressão no país. Preocuparam especialmente os quatro membros da CIDH medidas cautelares impetradas por juízes contra jornalistas que poderiam caracterizar censura prévia, proibida pela Corte Inter-Americana. Ouça o áudio.

A comissão da OEA, cuja função é promover a observância e defesa dos direitos humanos, perguntou ainda às autoridades presentes na sede da entidade, na manhã de ontem, em Washington, sobre que medidas o país está tomando para erradicar restrições indevidas à liberdade de expressão. A CIDH se manifestou após ouvir, na presença de três representantes do governo, denúncias sobre esse tipo de restrição no país feitas por três organizações não-governamentais.

Entre os problemas citados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) e a Article 19, uma ONG de ação global pela liberdade de expressão, estão o uso abusivo de ações de danos morais decorrentes de declarações alegadamente difamatórias por políticos e oficiais de governo e o alto número de ações de difamação propostas por membros de grupos contra jornalistas e empresas de comunicação.

No último caso, foi dado como exemplo a onda de ações por membros da Igreja Universal contra a jornalista Elvira Lobato e a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha. "Na grande maioria dos casos, esses indivíduos não são identificados nas matérias jornalísticas mas se dizem ofendidos em sua reputação", disse Paula Martins, da ONG Article 19. "O que mais preocupa é a articulação com intuito de intimidar a empresa e o jornalista."

Para Camila Serrano Giunchetti, da divisão de direitos humanos do Itamaraty, nesse caso específico o Judiciário brasileiro tem tido prontas respostas. "Muitas ações já foram arquivadas logo na primeira instância, com condenação inclusive do autor por litigância de má-fé", afirmou. Segundo Bartira Meira Ramos Nagado, assistente da Secretaria de Direitos Humanos, de maneira geral "o Estado brasileiro entende que o Judiciário brasileiro tem desempenhado sua função muito bem".

Com os representantes do governo concordou Celso Schröder, vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que não enxergou no país ameaças à liberdade de imprensa e preferiu falar sobre concentração da mídia no Brasil nas mãos de poucas empresas. Foram discutidos ainda os valores de indenizações para ações do tipo, cuja média é de R$ 60 mil, o que teria um "efeito intimidatório claro sobre a imprensa e sobre as ONGs", conforme definição de Viviana Krsticevic, da Cejil.

"O Estado tem de tomar medidas para garantir um equilíbrio racional nesse conflito entre a liberdade de expressão e o direito à honra e evitar de toda maneira sacrificar um para garantir o outro", disse Florentin Meléndez, da CIDH. "Eu queria que o governo brasileiro respondesse se esse é um processo de revisão legislativa ou se estão tomando medidas de outra natureza para garantir esse equilíbrio racional."

Depois que o governo responder por escrito a questões que a comissão considerar incompletas, a CIDH pode tomar uma de uma série de medidas, que vão de convocar nova audiência a promover uma investigação in loco, passando por fazer recomendações ao governo brasileiro para a adoção de medidas ou, em caso extremo, submeter o caso à Corte Inter-Americana.

Ouça a sessão da OEA.

Comentários dos leitores
luiz dias (364) 12/04/2008 06h03
luiz dias (364) 12/04/2008 06h03
CARO HUGO,
NÃO É BEM ASSIM. A INICIATIVA DO PROMOTOR DE ÁGUAS DE LINDÓIA-SP, PROVOCOU CONSEQUÊNCIA INVERSA AO DESEJADO NA AÇÃO JUDICIAL EM FACE DOS POLÍTICOS LOCAIS, QUE ESTARIAM TENDO FATOS POSITIVOS, OBRAS, DIVULGADOS PELO JORNAL DA CIDADE - TRIBUNA.
POR QUE ? PORQUE , PRIMEIRO, A JUSTIÇA VIOLOU A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, PROIBINDO O DIREITO DO JORNAL À INFORMAÇÃO - JORNALISMO INFORMATIVO.
POUCO IMPORTA DIZER:.....prefeito entrega ambulância......ou prefeitura entrega ambulância....
SEGUNDO. QUANDO A JUSTIÇA DETERMINA AO JORNAL QUE A FOTOGRAFIA DO PREFEITO, DO VEREADOR, APAREÇAM NO JORNAL EM NEGRITO, O ESQUELETO HUMANO EM PRETO, OFENDE DE NOVO A CONSTITUIÇÃO. MAIS. A AUTORIDADE JUDICIÁRIA PRATICA CRIME DE OFENSA À HONRA, DIGNIDADE, DECORO DE PESSOAS. INJÚRIA/DIFAMAÇÃO. COMETE ABUSO DE PODER. ATÉ PODERÁ ESTAR INCURSO EM CRIME DE RACISMO. VOCÊ AINDA A CONSEQUÊNCIA DESTA DECISÃO JUDICIAL.
POR OUTRO LADO, CONTINUANDO, PROMOVE AINDA MAIS OS POLÍTICOS LOCAIS. TODOS, TODOS, AO VEREM AS FOTOGRAFIAS EM NEGRITO, PERGUNTARÃO UNS AOS OUTROS: AH.....QUEM É ESTE CARA.....AH...É O SR. PREFEITO FULANO....AH.....É O SR. VEREADOR BELTRANO.
TENHO CERTEZA QUE O TRIBUNAL REFORMARÁ ESSA BOBAGEM DA JUSTIÇA DE PRIMEIRO GRAU.
E AINDA, HUGO, ISTO PODERÁ CUSTAR AÇÃO DE INDENIZAÇÃO EM FACE DO ESTADO SÃO PAULO, PORQUE A DECISÃO JUDICIAL É DE UM JUIZ PAULISTA E , TANTO ELE, QUANTO A FAZENDA PÚBLICA PODERÃO E SERÃO, TENHO CERTEZA, NO FUTURO, RESPONSABILIZADOS. E A CONTA? AH, O POVO PAGA COM IMPOSTOS.
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Hugo Arrais (28) 12/04/2008 05h08
Hugo Arrais (28) 12/04/2008 05h08
Está correta a decisão da justiça de coubir práticas abusivas da imprensa. O principal papel da imprensa é informar e não fazer propaganda para políticos. Que isto seja um precedente para coibir atitudes anti-éticas.
Onde moro, quase todos os jornais e telejornais utilizam da liberdade de imprensa para promoverem políticos, com objtivos não só políticos, mas também de domínio público econômicos.
IMPRENSA LIVRE SIM, ANTI-ÉTICA E "VENDIDA" NÃO!!!
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Rui Ruz Caputi Caputi (1130) 11/04/2008 20h50
Rui Ruz Caputi Caputi (1130) 11/04/2008 20h50
Sobre a oposição!
Quem escolhe quem fica na situação ou oposição, é o nobre e único soberano: POVO.
E o caminho das oposições é justamente esse: fiscalizar, denunciar, questionar, suspeitar, cobrar e pedir puñição exemplar para os desvios e devaneios de quem governa.
Por isso vamos parar com as chorumelas, pois que isso é uma imposição constitucional e absolutamente natural. Os governistas tem que por o rabinho entre as pernas e aceitar respeitosamente nosso posicionamento em quaisquer questões que sejam de natureza cívica. Quem não aguenta pressão constante, que mude de vida, que saia da vida pública e se alberque em definitivo na iniciativa privada. Quem está no poder, tem 200 milhões de patrões, que vão sim, e com todas as prerrogativas, exigirem que seus anseios e aspirações sejam materializados por seus governantes., Portanto: CALEM-SE E PONHAM-SE AO TRABALHO E A SERVIR A NAÇÃO, POIS QUE FOI SOMENTE PARA ISSO QUE FORAM ELEITOS!
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