Planalto vai intensificar diálogo para aprovar Orçamento antes de recorrer as MPs
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O governo federal não descarta enviar medidas provisórias para compensar os recursos previstos no Orçamento Geral da União de 2008, mas decidiu intensificar o diálogo com o Congresso Nacional para garantir a aprovação da peça orçamentária nesta quarta-feira. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou hoje que a prioridade do governo será garantir a aprovação do Orçamento, embora trabalhe com a possibilidade da edição de MPs.
"O governo a partir de agora tomará todas as providências para viabilizar que o Orçamento seja aberto. A principal delas é a sua aprovação pelo Senado. As outras [alternativas] não resolvem. Nós podemos até vir a usar MPs, mas essa não é a questão central. É votar o Orçamento para ter estabilidade no país", afirmou a ministra.
Dilma disse acreditar que o Congresso vai se sensibilizar pela necessidade de aprovação do Orçamento. Mas reconheceu que, sem a peça orçamentária, o governo não pode avançar com obras previstas pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
"É impossível um país com todas as carências que o Brasil tem não ter o seu Orçamento aprovado. Nós estamos muito preocupados com o PAC. Enquanto o Orçamento não é aprovado, eu não posso abrir os gastos desse ano com o PAC. Como nós nos esforçamos no ano passado para contratar, fazer licitações, estamos aguardando ansiosos por essa aprovação", disse.
Na opinião da ministra, é "impossível" que o governo e os parlamentares convivam sem o Orçamento de 2008. "Vamos entrar na terceira semana de março. Estou com dois meses e 15 dias perdidos", criticou Dilma.
Apelo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou nesta terça-feira para que a base aliada vote unida pela aprovação da proposta orçamentária de 2008. O pedido ocorreu na manhã de hoje durante reunião com os integrantes de seu conselho político.
Os dois principais ministros que cuidam da relação do governo com o Legislativo estiveram no Congresso nesta terça-feira. Além de Dilma, o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) acompanhou o colega Guido Mantega (Fazenda) em conversa com o PMDB.
Paralelamente, líderes governistas também buscam um acordo para garantir a aprovação do Orçamento.
Os partidos de oposição ameaçam votar contra a proposta orçamentária, se for mantido o anexo de R$ 534 milhões --que se tornou o principal impasse para a votação da peça orçamentária.
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