Oposição desiste de obstruir votação do Orçamento, mas não votará MPs
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Integrantes da oposição se reuniram hoje para discutir o impasse criado pela manobra do governo para aprovar nesta madrugada da MP (medida provisória) que cria a TV pública. A oposição decidiu romper o diálogo com a base governista e com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que comandou a sessão de votação da MP da TV pública. Mesmo assim, a oposição desistiu de obstruir a votação do Orçamento.
"Ele [Garibaldi] preferiu ser presidente do Congresso do governo. Não tenho mais o que conversar com ele, a não ser no plenário", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio.
Inicialmente, a oposição planejava descumprir um acordo fechado ontem com a base aliada e obstruir a votação do Orçamento, marcada para hoje. A oposição recuou e informou que o Orçamento será votado.
Em represália, a oposição pretende boicotar a votação de todas as MPs --o que deve trancar a pauta do Congresso. "Não votamos mais nenhuma medida provisória enquanto não tivermos uma decisão sobre mudanças na tramitação das MPs", afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Segundo Virgílio, a oposição também não vai mais negociar com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Nós não estamos mais vendo o senador Jucá como interlocutor. O que se viu ontem foi uma das páginas mais vergonhosas dessa Casa. Na pressa de se aprovar uma TV inútil, fizeram o Congresso se rebaixar", afirmou Virgílio.
Garibaldi negou que tenha agido em favor da base governista. "O Parlamento é a Casa dos representantes do povo. Não é a Casa dos representantes do governo nem dos representantes da oposição. Eu, como presidente do Senado, não sou representante do governo nem da oposição", afirmou Garibaldi.
Ele também criticou o tumulto de ontem na votação da MP da TV pública. "Esta Casa precisa trabalhar em ordem. E ontem, o que de viu em determinado momento, foi desordem. E desordem não constrói. Vamos votar sim [o Orçamento]."
Impasse
O impasse entre oposição e governo se acirrou durante a sessão de votação da MP da TV pública, que teve bate-boca entre parlamentares dos dois lados. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que o Senado se "agachava" para o governo. O senador Almeida Lima (PMDB-SE) não gostou e afirmou que iria tomar as providências cabíveis.
O que provocou a irritação da oposição foi uma manobra utilizada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para apressar a aprovação da TV Pública. Ele recomendou a rejeição de uma medida provisória editada pelo próprio governo considerando que ela não era urgente nem relevante.
De acordo com o blog do Josias, a manobra pegou a oposição de surpresa. PSDB e DEM, contrários à criação da nova emissora do governo, tentavam esticar a sessão, para impedir a votação. Irritados com Jucá, os líderes José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) comandaram a retirada de suas respectivas bancadas do plenário.
Com a oposição ausente, os governistas aprovaram, em votação simbólica a medida provisória que cria a TV Pública, informa o blog do Josias.
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