Manifestante sem terra é baleado diante de canteiro de obras de hidrelétrica no MA
da Agência Folha
Dois dias depois de o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) iniciar uma série de protestos pelo país para marcar o dia internacional contra as barragens, o manifestante sem-terra Welinton da Silva Silva, 18, foi atingido na noite de ontem por um tiro em um acampamento montado em frente ao canteiro de obras da usina hidrelétrica de Estreito, no Maranhão.
Até a tarde de hoje, Silva permanecia internado no hospital do município. Ele não corre risco de morte. Segundo lideranças do MAB, ele é ligado ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
Na tarde de hoje, a policia prendeu um suspeito de ter feito o disparo. Segundo a Secretaria de Segurança Cidadã do Estado, ele trabalha para o Ceste (Consórcio Estreito Energia), responsável pela construção da usina, do qual fazem parte a Vale, a Suez Energy, a Alcoa e a Camargo Corrêa.
A secretária estadual de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal, disse que o tiro foi decorrência de uma briga entre o manifestante e um trabalhador da obra. Segundo ela, o número de manifestantes acampados caiu de 300 pessoas ontem para cerca de 70 hoje.
A assessoria de imprensa do Ceste disse que por enquanto não vai se manifestar sobre o episódio e que as obras continuavam paralisadas. Ontem à tarde, o Ceste obteve uma liminar na Justiça pela qual mantém a posse da área da usina.
A secretária disse que hoje mais 40 policiais devem se deslocar para fazer a segurança da área, mas que eles serão acompanhados por negociadores.
Os manifestantes reivindicam, entre outros pontos, o aumento das indenizações pagas aos atingidos pela barragem e ampliação do estudo de impacto ambiental da obra.
Pelo país
No Paraná, cerca de 400 integrantes do MAB e da Via Campesina invadiram hoje o pátio da empresa Tractebel Energia, responsável pela usina Salto Santiago, em Saudade do Iguaçu (421 km de Curitiba).
O grupo saiu da empresa por volta das 16h30. Manifestantes também bloquearam por duas horas a BR-158, próximo à empresa.
Na Paraíba, cerca de cem integrantes do MAB fecharam durante duas horas a BR-104, na região de Campina Grande (135 km de João Pessoa).
Em Belo Horizonte (MG), manifestantes ligados ao MAB e a outros movimentos protestaram em frente à Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) para pedir descontos na conta de luz a famílias com consumo inferior a 220 kW/mês.
Em Rondônia, cerca de 500 pessoas permanecem na usina termelétrica Rio Madeira, em Porto Velho. Na noite de hoje, manifestantes começaram a deixar o canteiro de obras do Canal de Irrigação, em Morada Nova (CE), depois de se reunir com dois secretários do governo estadual.
Manifestantes também encerraram protesto em frente à usina hidrelétrica de Machadinho, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, depois de agendarem audiência sobre os impactos da barragem para 9 de abril.
O MST bloqueou hoje a BR-153, em Promissão (SP).
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