Orçamento de 2008 mantém gastos e carga tributária elevados
da Folha de S.Paulo, em Brasília
da Folha Online, em Brasília
Após a derrubada da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o Orçamento de 2008, aprovado ontem pelo Congresso, mantém a carga tributária e os gastos federais em patamares semelhantes ou até mais altos que os do ano passado, os maiores já contabilizados no país.
A lei orçamentária projeta uma receita de 24,36% da renda nacional, até um pouco acima dos 24,3% estimados para 2007 --os números definitivos do ano passado ainda não foram calculados. As despesas, já descontados os repasses obrigatórios para Estados e municípios, passam de cerca de 18% para 18,25% do PIB (Produto Interno Bruto). A CPMF permitiria somar 1,4 ponto percentual aos valores de 2008.
A explicação está no aumento da arrecadação esperada com os demais tributos, graças ao crescimento da economia, que impulsiona os lucros das empresas e as contratações com carteira assinada --e mais R$ 10 bilhões de um aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social Sobre Lucro Líquido).
Depois de o governo ser obrigado a recalcular sua estimativa de gastos neste ano com o fim da CPMF, os parlamentares aprovaram a peça orçamentária com três meses de atraso em um acordo fechado entre governo e oposição.
No Senado, a proposta foi aprovada com 56 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção. Um pouco antes, a proposta foi aprovada na Câmara com 404 votos favoráveis, 12 contrários e uma abstenção.
A sessão do Congresso transcorreu sem embates, já que a oposição aceitou o acordo para votar a matéria em troca da retirada do anexo de "metas e prioridades" incluído no texto pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso. No valor de R$ 534 milhões, o anexo destinava recursos para obras em 15 Estados que beneficiavam diretamente um grupo de 96 parlamentares --a maioria integrantes da Comissão de Orçamento.
Governo e oposição decidiram redistribuir os R$ 534 milhões ao longo da peça orçamentária. No total, 50% dos recursos do anexo serão distribuídos com base no FPE (Fundo de Participação dos Estados). Outros 40% serão divididos pelas bancadas estaduais com base no histórico dos últimos três anos de emendas apresentadas ao Orçamento.
Por fim, 10% dos recursos do anexo serão rateados entre as bancadas de acordo com o tamanho dos Estados, segundo critérios definidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A oposição também decidiu aprovar o Orçamento depois que o governo desistiu de retirar recursos da Lei Kandir para investimentos em agricultura. Os recursos para a Lei Kandir somariam R$ 5,2 bilhões neste ano. Desse total, R$ 3,9 bilhões já estão previstos na proposta orçamentária. Outros R$ 1,3 bilhão viriam do aumento de arrecadação. Seriam retirados R$ 450 milhões dessa última parte --de R$ 1,3 bilhão-- para realização de investimentos em agricultura, mas o governo voltou atrás depois de protestos da oposição.
Rodoanel
O acordo com a oposição também garantiu a restituição de R$ 224 milhões dos recursos destinados às obras do Rodoanel, em São Paulo. O dinheiro havia sido retirado da proposta orçamentária pela Comissão Mista de Orçamento, mas foi recolocado no texto após forte pressão da bancada de São Paulo. No total, o Orçamento de 2008 prevê R$ 264 milhões para as obras do Rodoanel.
O Orçamento aprovado nesta quarta-feira prevê despesas de R$ 1,423 trilhão ao longo deste ano. O valor inclui o corte de R$ 12,4 bilhões no texto após a nova estimativa do governo para os gastos de 2008 após o fim da CPMF. O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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