Oposição diverge sobre estratégia de obstrução nas votações do Senado
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A oposição está dividida sobre a forma de atuação nas próximas votações das propostas de interesse do governo no Senado. Na Casa, os líderes do PSDB, Arthur Virgílio Netto (AM), do DEM, José Agripino Maia (RN) divergem sobre as ações que serão executadas.
Para Virgílio, deve haver obstrução total tanto em votações no plenário, como também nas comissões temáticas. Já Agripino é favorável que a obstrução seja feita apenas nas votações das MPs (medidas provisórias).
"O que for de interesse da sociedade, nós vamos discutir. O que nós defendemos é a sistematização das MPs, que elas sejam analisadas, primeiro, na Comissão de Constituição e Justiça e só as urgentes devem ser aprovadas", disse Agripino. "Para nós, é fundamental definir o rito para a tramitação das MPs [tanto no Senado como na Câmara]."
Para Virgílio, a forma como foram aprovadas a MP que criou a TV Pública e a proposta do Orçamento de 2008, na qual oposição e governo tiveram um embate, caracterizaria um desrespeito aos oposicionistas. "O essencial é que eles, do governo, compreendam que não podem interditar o debate", disse o senador. "Nós vamos partir para a obstrução no plenário e nas comissões temáticas", avisou.
O líder disse que a iniciativa do PSDB já começou nesta quinta-feira. Segundo ele, as comissões de Relações Exteriores e de Infra-Estrutura do Senado suspenderam as sessões previstas para hoje.
"Vamos pedir vista de tudo em todas as comissões, de indicações de embaixadores até o que mais houver, exceto uma ou outra situação", disse Virgílio. "Está armada uma trincheira, no Senado, contra as medidas provisórias", afirmou.
Acordo
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), sinalizou hoje que a base aliada que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer dar uma trégua na disputa com a oposição.
Segundo ele, a intenção do governo é reduzir o número de MPs enviadas ao Congresso. "Eu tenho que reconhecer que há um excesso de MPs. Este impasse não é bom para ninguém. Mas [apelo] para que a oposição não transforme isso em uma guerra", disse Fontana, lembrando que as duas MPs que trancam a pauta e estão previstas para a próxima semana não envolvem polêmicas e podem ser aprovadas sem dificuldades.
Os presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reclamam do excesso de medidas que acabam atrapalhando as demais votações nas duas Casas.
Na Câmara, há uma comissão especial que analisa uma série de propostas que visam dar mais agilidade à tramitação das medidas provisórias.
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