Brasil
13/03/2008 - 19h14

Dividida, oposição começa a obstruir votações do Senado em represália à MP da TV pública

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O PSDB deu início, nesta quinta-feira, à obstrução dos trabalhos do Senado depois de romper o diálogo com os governistas na votação da medida provisória que criou a TV Pública. Apesar de escolher um dia esvaziado na Casa Legislativa para dar início à obstrução, o partido promete pedir vista --adiamento da votação-- em todas as matérias discutidas nas comissões e no plenário da Casa também na semana que vem.

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) pediu vista das matérias discutidas pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), esperou o início dos trabalhos da Comissão de Relações Exteriores para pedir vista às indicações de embaixadores da Polônia, Marrocos e El Salvador. Por falta de quorum, no entanto, a comissão não chegou a realizar sessão.

"A partir de agora, é obstrução. Queremos a garantia de que nunca mais acontecerá uma sessão como a da madrugada de quarta-feira [na votação da TV Pública]. Tomar cafezinho na sala do presidente para definir pauta de votações, não iremos mais. Não se verá tucano fazendo isso. Diálogo agora somente em plenário e nas votações", enfatizou.

O tucano afirmou que, a partir de agora, não haverá acordo com a oposição para a votação de matérias no Senado. "O governo que ponha sua maioria em plenário. Só teremos diálogo no voto", disse.

Os tucanos já haviam prometido obstruir os trabalhos há duas semanas, mas voltaram atrás e aceitaram votar medidas provisórias que trancavam a pauta de votações do Senado. Desta vez, o diálogo de senadores do PSDB com governistas foi rompido durante a votação da medida provisória que criou a TV Pública, que durou mais de cinco horas.

A oposição ficou irritada com manobra utilizada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para apressar a aprovação da TV Pública. Ele recomendou a rejeição de uma medida provisória editada pelo próprio governo considerando que ela não era urgente nem relevante.

Apesar do PSDB ter dado início à obstrução dos trabalhos do Senado, o partido não tem o apoio integral do DEM. O líder democrata no Senado, José Agripino Maia (RN), disse ser favorável à obstrução somente nas votações das medidas provisórias --que são editadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O que for de interesse da sociedade, nós vamos discutir. O que nós defendemos é a sistematização das MPs, que elas sejam analisadas, primeiro, na Comissão de Constituição e Justiça e só as urgentes devem ser aprovadas. Para nós, é fundamental definir o rito para a tramitação das MPs", disse.

Requerimento

Além de romper o diálogo com os governistas, a oposição também criticou o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que teria autorizado a manobra articulada por Jucá. Virgílio encaminhou nesta quinta-feira requerimento para que Garibaldi explique seu desabafo --na sessão do Congresso Nacional que aprovou o Orçamento nesta quarta-feira-- quando disse que não vai se submeter à "exorbitância" da oposição nem às "ameaças e recados" do presidente da República.

"A declaração é contraditória e coloca em dúvida a autonomia e independência desse Poder Legislativo, o que justifica o requerimento para que possamos esclarecer à sociedade que os dirigentes das Casas do Congresso não estão submetidos à vontade de dirigentes de outro poder", diz Virgílio no requerimento.

Comentários dos leitores
Manuel da Silva (118) 02/06/2008 22h13
Manuel da Silva (118) 02/06/2008 22h13
Aqui tem petistas aloprados que em muito lembram o Chavez da Venezuela, num mix com o outro Chavez aquele do seriado da TV, que a todo instante diz "foi sem querer querendo" igual ao dito pelo Aparecido.

É uma bagunça total esse governo de incompetentes, o Chavez que lembra o da Venezuela é o imperador vermelho que fica lá em Brasília, em seu regime de governo totalitário não admite ser contrariado, embora seja omisso é um ditador gastador, quando o sapato aperta ele sai dizendo por ai que não sabe de nada.

O governo do Chavez omisso brasileiro está cercado de companheiros incompetentes por todos os lados, mas quando a coisa aperta, "sem querer querendo" os companheiros não aguentam e acabam "kaguetando" o nome dos componentes envolvidos em vários escândalos protagonizados pelos próprios.

É uma vergonha, gastador, mas sem gestão, os caras aloprados querem aumentar até o seguro DPVAT, além de querer recriar a CPMF.

Desse jeito nossa carga tributária vai para mais de 50%, sem dó nem piedade, aqui neste país precisamos trabalhar cinco meses por ano só para pagar impostos dos aloprados, e eles querem sempre mais e mais, nunca está bom para eles, vivem como se estivessem no Sultanato do Nepal sem se preocupar em momento algum com a plebe.

Mas isso vai mudar, ah se vai, estamos cansados de tantas vergonhas diárias, CHEGA!

Sds,
Manuel
São Paulo - SP.
sem opinião
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Maria Therezinha (67) 30/04/2008 16h19
Maria Therezinha (67) 30/04/2008 16h19
Àqueles politicos que em suas respectivas posses juraram respeitar a Constituição, se esqueceram do juramento, simplesmente preferiram se vender, e assim o brasileiro tem o bolso cada vez mais pesado pelos impostos criados por eles.
Ao ver o circo diário imagino que se há os que se vendem há os que compram os vendidos, não sei quem é o pior, se o que compra ou o que se vende.
4 opiniões
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Eduardo Petrucci Gigante (91) 30/04/2008 09h14
Eduardo Petrucci Gigante (91) 30/04/2008 09h14
PELOTAS / RS
Então, caro Ministro, precisa-se criar o mecanismo para o orçamento ser aprovado em tempo. Lembrar aos deputados e senadores que, em caso de atraso, o Executivo também não poderá repassar as verbas ao Legislativo. Com impacto imediato nas folhas de pagamento.
Mas, Ministro, que o orçamento seja bem feito. Não como no último ano, em que o Senhor mesmo contou com o ovo ainda dentro da galinha e teve que refazer tudo, quando seu "planinho" não deu certo!
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