Brasil
14/03/2008 - 23h05

PF indicia 39 em inquérito sobre desvios no Detran do RS; um é membro do PSDB

FLÁVIO ILHA
Colaboração para a Agência Folha, em Porto Alegre
GILMAR PENTEADO
da Folha Online
da Agência Folha

A Polícia Federal indiciou 39 pessoas no inquérito da Operação Rodin, que apurou desvios de recursos públicos do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul no valor de R$ 40 milhões.

Entre os indiciados está o empresário Lair Antônio Ferst, membro do diretório estadual do PSDB, ex-coordenador técnico da bancada tucana na Assembléia Legislativa e um dos envolvidos na campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB). Um cunhado, duas irmãs, um contador e um suposto laranja de Ferst também foram indiciados.

No inquérito que foi enviado ontem (13) à Justiça Federal em Santa Maria, empresários, professores universitários, servidores públicos e ocupantes de cargos de confiança no governo do Estado indicados pelo PP e PMDB também foram acusados de oito crimes. Entre eles, estão estelionato, formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e tráfico de influência.

O inquérito ainda será analisado pelo Ministério Público, que poderá denunciar ou não os suspeitos. A investigação também identificou indícios da participação de deputados, cujos nomes não foram divulgados. Como parlamentares têm foro privilegiado, relatório do caso será encaminhado ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Segundo a PF, desde 2003 o grupo superfaturava a realização de provas para obtenção de carteiras de motorista por meio da Fatec (Fundação de Apoio à Tecnologia e à Ciência), vinculada à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

A Fatec, contratada com dispensa de licitação, repassava os serviços pagos pelo Detran gaúcho para uma rede de sistemistas. Os repasses comprovados pela PF a quatro empresas que faziam parte do esquema chegam a R$ 34 milhões.

Em novembro do 2007, 13 suspeitos foram presos pela PF na ação que desencadeou a Operação Rodin. Entre eles estava Ferst, o então presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, o ex-presidente Carlos Ubiratan dos Santos (ambos ligados ao PP). Todos já foram soltos.

A reportagem não conseguiu falar nesta sexta-feira com nenhum dos acusados no caso. A assessoria de Yeda Crusius afirmou que Ferst não era coordenador de campanha, mas que participou das atividades do partido para eleger a governadora. Vaz Netto foi afastado do cargo depois da sua prisão.

A divulgação dos nomes pela PF foi autorizada pela Justiça Federal em Santa Maria.

 

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