Ex-vice-presidente do Banco Rural nega irregularidades em operações de crédito
REGIANE SOARES
da Folha Online
A ex-vice-presidente operacional do Banco Rural Ayanna Tenório depôs hoje para a juíza federal Silvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal, sobre seu suposto envolvimento com o mensalão. No depoimento, ela negou os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha --pelos quais foi denunciada pela PGR (Procuradoria Geral da República).
Segundo o advogado dela, Rodrigo Mendonça, ela explicou sua função no banco e o motivo de ter autorizado duas renovações de crédito para empresas do publicitário Marcos Valério, acusado de ser o operador do mensalão.
De acordo com o advogado, a operação foi "absolutamente normal", pois já chegava às mãos da ex-vice-presidente com parecer técnico favorável do comitê de crédito.
"Ela aprovava por uma questão de formalidade necessária por ser a vice-presidente operacional", disse Mendonça.
Sobre os 65 saques realizados por Tenório --que foram classificados como lavagem de dinheiro na denúncia--, o advogado disse que as operações foram realizados a pedido do próprio sacado --que não foi informado-- e que ela não teve envolvimento com isso. "Ela disse que os saques seguiram o procedimento absolutamente normal do banco. O banco tinha tudo isso registrado e informado ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)."
Ele negou que Tenório tenha responsabilizado alguém por essas operações. Segundo o advogado, o banco é setorizado e ela é quem respondia pela área operacional.
O depoimento dela durou quase duas horas. A juíza ainda ouve hoje o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP).
Tenório é acusada de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, enquanto Gushiken responde por peculato e Professor Luizinho por lavagem de dinheiro.
O STF (Supremo Tribunal Federal) acatou a denúncia contra todos os 40 acusados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza de envolvimento com o esquema.
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