Brasil
30/04/2008 - 18h01

Caras-pintada deram sopro para o movimento estudantil

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online

Os movimentos estudantis voltaram a ganhar força em 1992, quando milhares de jovens saíram às ruas para pedir o impeachment do então presidente Fernando Collor. Esses estudantes ficaram conhecidos como cara-pintadas.

18.set.92/Folha Imagem
Estudantes saíram às ruas em 1992 paea pedir o impeachment de Fernando Collor
Estudantes saíram às ruas em 1992 paea pedir o impeachment de Fernando Collor

No entanto, a própria musa dos cara-pintadas tem críticas à atuação da UNE. "A maioria das passeatas foi organizadas pela UNE, mas ela agia como se as manifestações pertencessem a ela e não ao povo", diz Cecília Lotufo, uma das primeiras estudantes a pintar a palavra "fora" no rosto. "Eles [dirigentes da UNE] só queriam falar de si mesmos, então comecei a questionar essa postura em público."

05.out.07/Folha Imagem
Cecília Lotufo, ex-musa dos cara-pintadas, critica a forma de atuação da UNE
Cecília Lotufo, ex-musa dos cara-pintadas, critica a forma de atuação da UNE

Ela se lembra do momento em que chegou a ser ameaçada. "Alguns líderes da UNE me ligaram em casa mandando eu tomar cuidado com o que dizia."

Para Lotufo --hoje com 33 anos--, nem todos os jovens que participavam das passeatas dos cara-pintadas eram engajados na política. "Depois que as passeatas ganharam os jornais, muitos estudantes participavam delas só para matar aula."

 

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