Brasil
18/03/2008 - 20h45

Promotoria propõe 137 ações civis para conter devastação

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SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

A Promotoria de Justiça de Altamira (777 km de Belém), um dos 36 municípios da lista suja do desmatamento, está cobrando na Justiça a reparações de danos materiais --como o reflorestamento de áreas desmatada-- e o pagamento de indenizações por dano moral referentes a crimes ambientais notificados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

O Ministério Público do Estado propôs 137 ações civis públicas contra empresas ou pessoas a partir das autuações feitas pelo Ibama desde 1999.

O promotor Eduardo Falesi, autor das ações, disse que a devastação florestal no município é "alarmante" e as sanções impostas aos crimes ambientais na legislação são brandas.

"A partir do momento que as ações começarem a ter sucesso no Judiciário e estas pessoas, que são madeireiros, pessoas com boas condições financeiras, tiverem que pagar, eles vão sentir no bolso", disse. "No âmbito criminal, como as penas são pequenas, eles [infratores] acabam condenados a prestar serviços ou a pagar cestas básicas. Tem de haver um tipo de coação legal", disse.

De acordo com as ações propostas, o dano moral se caracteriza pela "lesão ocasionada às gerações presentes e futuras na qualidade de vida de cada integrante da coletividade afetada".

A Justiça ainda não apreciou as ações. A maioria das autuações feitas são referentes à irregularidades no transporte, comercialização ou industrialização de madeiras.

As ações civis públicas tramitam paralelamente ao processo administrativo do Ibama. As 137 autuações do órgão federal que originaram as ações civis somaram um total de R$ 12,3 milhões em multas. No caso das indenizações, cabe ao Judiciário definir os valores.

O presidente da Associação das Indústrias Madeireiras de Altamira, Lúcio de Paula Costa, disse que muitas das autuações são referentes a erros no preenchimento de documentos, que já foram resolvidas ou são alvo de recursos.

"Nestas autuações não houve flagrante, não são danos reais, são questões burocráticas. Muitas já foram resolvidas", disse Costa. Segundo ele, os madeireiros ainda não foram notificados das ações.

Comentários dos leitores
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Tenho pela certeza que o sr. Reis sabe o que diz. Não posso recriminá-lo pelas suas palavaras, pois vivo na Amazônia e sei exatamente o que acontece nos dois extremos, do degradador e do ambientalismo, muitas das vezes radical. Não podemos negar que há pessoas sem nenhum preparo para respeitar as questões ambientais, mas também não podemos negar que a pobreza causa muito mais impacto negativo, seja socialmente como ambiental, portanto tenho que respeitar a opinião do Sr. Reis, pois Londres, Paris, Amsterdã, entre outras cidades ricas da Europa, Oceania, Canadá e EUA estão no topo do ecologismo, sendo modelos de preservação ambiental, depois de esgotarem seus recursos naturais, sendo assim foi fácil recuperar um Tâmisa, um Sena, mas veja se a indústria parou? Aqui na Amazônia existem pessoas sérias, existem fazendas de gado, muito melhores, na questão ambiental, do que muitas que conheci em São Paulo, existem muitas áreas agrícolas que respeitam as APP's, o que a gente não vê no oeste do Paraná. Então saudações ambientais sr. Reis e que Deus sempre o ilumine. sem opinião
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oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
Esta é uma coisa razoavel que o Presidente Lula disse nestes ultimos dias de avalanches politicos negativos.
O Meio Ambiente é um bem de todos, produtores ou não. E nada mais justo que haja participação da classe produtora nas decisões para preservação ambiental , pois essa matéria sempre aconteceu de forma unilateral e eu sou testemunho disso, pois estou na area ambiental a 30 anos e com segurança digo que se essas areas não interagirem jamais teremos preservação de verdade.
Não devemos esquecer que o desenvolvimento é uma necessidade imediata de qualquer ser humano, seja ele ambientalista ou produtor, pois ambos respiram, comem, trabalhão. ao contrario das consequencias ambientais causada pelo desenvolvimento insutentavel que leva tempos para ser percebido levando varias gerações as vezes para se manifestar. Portanto a educação ambiental e a aplicação de leis adquadas feitas com a participação de ambas as partes seriam o ideal para os bons resultados na luta pela preservação ambiental.
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Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
O problema não é desmatar, e sim o que o pessoal vai vazer da vida depois de desmatar a Amazônia. Vai viver de quê?
Aqui no sudeste e sul do país o que aconteceu foi um desmatamento desinfreado que não trouxe vantagem alguma.
Quem ganhou muito dinheiro com o desmatamento acabou vendendo sua propriedade e foi pra cidade viver de aluguel de imóvel.
Quanta área aqui no sudeste e sul é mal utilizada pelo produtor rural. Agora as áreas desmatadas valem menos que as áreas com reserva legal e APP.
O problema todo é renda para as pessoas, enquanto uma árvore valer mais deitada do que em pé não existirá preservação ambiental aqui no Brasil.
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