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Brasil
23/03/2008 - 08h33

Pré-candidatas à Prefeitura de Porto Alegre apontam machismo na política

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GILMAR PENTEADO
da Agência Folha, em Porto Alegre

Com trajetórias semelhantes, de partidos de esquerda e ligadas a movimentos sociais, três mulheres vão disputar as eleições deste ano para a Prefeitura de Porto Alegre (RS), todas com chances de vitória.

Embora o cenário seja inusitado, as três pré-candidatas --as deputadas federais Maria do Rosário (PT), 41, Luciana Genro (PSOL), 37, e Manuela D'Ávila (PC do B), 26-- afirmam que ainda existe muito machismo na política. Também revelam que já foram vítimas de discriminação, inclusive por causa da beleza.

Montagem/Folha Imagem
As deputadas Maria do Rosário (PT), Manuela Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL) vão disputar Prefeitura de Porto Alegre
As deputadas Maria do Rosário (PT), Manuela Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL) vão disputar Prefeitura de Porto Alegre

O preconceito, segundo elas, surgiu principalmente quando apareceram no cenário eleitoral. Militantes do movimento estudantil em épocas diversas, foram eleitas pela primeira vez quando tinham pouco mais de 20 anos. Foram recepcionadas, segundo elas, por apelidos, rótulos e nomes no diminutivo.

Maria do Rosário detestava quando era chamada de "Mariazinha" por colegas na Câmara Municipal de Porto Alegre. Luciana Genro lembra que, após a primeira eleição, foi apontada como a jovem bonita que conseguiu vencer por causa do pai --ela é filha do ministro da Justiça, Tarso Genro. Manuela se incomoda em ser chamada de musa do Congresso.

Diminutivo

"Aquilo [ser chamada de Mariazinha] me marcou. A discriminação é tão sutil que pode ser colocada por meio de um tratamento em princípio carinhoso, mas que tenta colocar a idéia de fragilidade em quem está no mesmo patamar", disse Maria do Rosário, que foi vereadora de 1993 a 1998.

"Os homens são, geralmente, chamados pelo nome inteiro. Mas é muito comum que as mulheres ganhem diminutivos e apelidos", diz a deputada.

Luciana Genro diz ser alvo de dois preconceitos: por ser jovem e por ser filha de um político famoso. "As pessoas pensavam: "Ela chegou aqui por quê? Porque é jovem? Porque é bonita? Porque é filha?" Tive de mostrar que não tinha chegado ali por acaso. Com os homens isso não acontece. Parece que, se chegou lá, já tem um habeas corpus preventivo no sentido de que é uma pessoa capaz."

Manuela D'Ávila cita o tratamento dispensado ao ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) Lindberg Farias (PT), hoje prefeito de Nova Iguaçu (RJ), eleito deputado por ter sido líder dos caras-pintadas: "Eu, que tive uma trajetória semelhante à dele, que também saí da UNE para me eleger, sou tratada como a bonita do Congresso. Acho que isso é prova de preconceito".

Porto Alegre

Apesar dos relatos de discriminação, as pré-candidatas afirmam que o machismo está perdendo espaço na política e que a disputa eleitoral pela prefeitura da capital gaúcha, que trará pelo menos três mulheres, tem de ser festejada.

Para elas, Porto Alegre não é menos nem mais machista que o resto do país. A explicação está no crescimento da participação feminina nos partidos, sindicatos e movimentos sociais. Foram desses setores que as três iniciaram a vida política.

Dos 1.029.450 eleitores de Porto Alegre, 54,45% são mulheres --é a sétima capital brasileira com maior proporção feminina no seu eleitorado. Em 2000, eram 54%.

As três pré-candidatas são contra o voto por gênero. Segundo elas, o projeto ideológico e a trajetória política devem vir em primeiro lugar. Todas disseram à Folha que, como eleitoras, nunca decidiram seu voto simplesmente porque a candidata era mulher.

A defesa de bandeiras relacionadas às mulheres também não vai significar uma trégua entre elas na campanha. "As diferenças políticas não desaparecem porque nós somos três mulheres. E essas três mulheres apresentam projetos diferentes", afirmou Manuela.

"O gênero, por si só, não impede que a mulher reproduza os mesmo vícios do homem na política. Vou mostrar que existem mulheres que fazem política igual aos homens tradicionais", afirmou Luciana Genro.

"A população é bastante consciente para saber que não é uma eleição apenas de gênero. É uma eleição de projeto político. Porque assim como os homens não são iguais, as mulheres também não são", disse Maria do Rosário.

Apesar da discriminação por causa da beleza, as três afirmam que aprenderam que a mulher na política, mesmo ligada a movimentos sociais, tem direito à vaidade sem ser recriminada por isso.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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