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Brasil
25/03/2008 - 21h22

Fazendeiro é preso por suspeita de escravidão por dívida em Mato Grosso

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JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha

Uma suspeita de escravidão por dívida e de trabalho degradante em uma propriedade rural de Alta Floresta (MT) levou à prisão em flagrante do dono da fazenda --o que nunca havia ocorrido até então no Estado.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) só teve conhecimento da situação na fazenda depois que um dos trabalhadores resolveu abandonar seu alojamento e andar --sem água ou comida-- cerca de 40 km em um atalho aberto na meio da mata fechada para fazer a denúncia ao órgão na cidade.

De acordo com seu relato, ele e dois colegas só poderiam ir embora depois de pagar, com trabalho, alimentos comprados pelo proprietário.

O procurador do Trabalho Rafael de Araújo Gomes afirmou que, ainda assim, a travessia não pode ser considerada uma fuga, já que o fazendeiro Altair Vezentin não o impediu fisicamente de ir embora, apenas o obrigou a andar pela floresta para fazê-lo.

"[Vezentin] Disse que ele [trabalhador] poderia ir, mas os outros dois deveriam ficar para garantir o pagamento do que ele havia comprado para eles comerem, uns R$ 400 em arroz, café, açúcar e óleo", afirmou o procurador.

Antes uma das principais modalidades de trabalho análogo à escravidão, a ligação por dívida é, hoje, uma prática raramente encontrada pela fiscalização. Normalmente, as péssimas condições de alojamento e alimentação é que acabam por configurar o crime.

A discórdia entre os três e o empregador começou quando eles perceberam que o trabalho combinado --preparar o campo para a pecuária-- seria muito mais complicado do que parecia inicialmente.

Eles tentaram então negociar um pagamento mais alto, o que foi negado pelo fazendeiro, segundo o MPT.

A denúncia foi feita na segunda-feira da semana passada, e o procurador chegou ao alojamento na última quinta-feira, quando, com dois policiais militares, prendeu Vezentin --que já foi liberado.

Gomes afirmou que os trabalhadores banhavam-se e bebiam a água de um riacho. Como banheiro, usavam a floresta. Ficavam em uma barraca cujo teto era de plástico.

A Folha ligou para a casa de um irmão de Vezentin, mas não encontrou o fazendeiro. Uma cunhada disse que ele nega a suspeita. Ele também pode ser indiciado por aliciamento de trabalhadores.

Comentários dos leitores
Renato Vieira (5) 26/11/2008 15h53
Renato Vieira (5) 26/11/2008 15h53
A novidade nessa história é o papel do governo cumprindo com sua obrigação. Os alicerces políticos, econômicos e sociais desse país é a escravidão. Então não me surpreende mais um caso. A nossa história não foi passada à limpo. Tentamos não reconhecer um crime cometido contras os índios, inicilamente, e os negros posteriormente. Então a escravidão é quase como uma cultura entre as elites que são os que detêm a empregabilidade. Por outro lado vemos que os trabalhadores aceitam a situação como forma de tentativa de melhorar sua vida, o que representa um contra senso. Eles só se dão conta da situação com o passar do tempo, dos dias, dos meses.
Enquanto as elites não assumirem publicamente com ações, a sua história escravocrata, esses casos irão se repetir e se perpetuar.
Esperamso também que os próximos governos dêem continuidade ao processo de fiscalização.
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É simplesmente um absurdo em pleno século 21, vermos estas ações no cotidiano brasileiro, mas não parará por aí, pois as autoridades são coniventes na maioria dos casos, e quando alguém é punido, não são os senhores donos da terra e sim seus capatazes, que ficam a frente da pusilanimidade. Portanto, não basta a atuação do governo em fiscalização, as pessoas que ali trabalham, desenvolve atividades subumanas, se não trabalharem neste tipo de atividade não terá condições de sobreviverem. Então pensam elas: melhor viver mal do que não viver. Quantas vezes já assistimos a este filme? Não é de hoje que existem ações não governamentais envolvidos com a questão premente. Dá a luz, a solução, mas não é seguido pelos órgãos do governo. Que simplesmente ignoram o obvio. Muitos destes seres humanos que são desprezados, maltratados pelos senhores donos de terras, mesmo quando conseguem sair desta situação degradante, voltam, por não terem outros meios de subsidência. Ou é viver desta forma sem a luz do governo, sem apoio da sociedade em cobrança Estatal, ou escolham viver a margem da sociedade em sustentação e contrariedade às leis. Somando ao já alto índice de criminalidade e as mazelas brasileiras. 5 opiniões
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JOSE PAULO VIEIRA (17) 30/09/2008 07h42
JOSE PAULO VIEIRA (17) 30/09/2008 07h42
Respondendo ao me parece que José Alberto. Ele afirma que nunca viu tantos casos como no governo Lula e o acusa. Não votei no Lula, mas a forma que ele chegou a 80 por cento de aprovação está ai o respaldo. A respeito da escravidão, caso do Para que a policia encontrou 150 em regime de escravidão, e este ano foram libertados mais que nos ultimos 10 anos de nossa historia.
No Governo anterior da elite, foi pego no Para, uma fazenda com quase 300 trabalhadores em regime pior que a escravidão do passado. Viu no que que deu? O dono da Fazenda era amigo do FHC, e pior, na hora de punir ainda descobriu que a fazenda estava em nome de outros. Estes outros eram os verdadeiros donos das terras que tinham morrido de mortes estranhas, e ali eram os posseiros. Posseiros que na hora de tirar emprestimos vultuosos são os donos, administradores e tudo mais. Quem denunciava morria. Sumiam com o dinheiro porque eles não eram donos de nada. E ainda veio o Alckimim querendo revitalizar o projeto SUDAN, que sabia de tudo mesmo assim dava didim pra eles, na ideia ficticia que ia desenvolver a |Amazonia.
Abre os olhos só porque não viamos tanta gente presa neste pais, não significa que estava certo.
A coisa corria frouxa, e agora ainda tem muitas irregularidades, e se houver participação de todos ainda podemos melhorar porque neste governo estamos encontrando apoio para ao menos reclamar por justiça.
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