Fazendeiro é preso por suspeita de escravidão por dívida em Mato Grosso
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha
Uma suspeita de escravidão por dívida e de trabalho degradante em uma propriedade rural de Alta Floresta (MT) levou à prisão em flagrante do dono da fazenda --o que nunca havia ocorrido até então no Estado.
O MPT (Ministério Público do Trabalho) só teve conhecimento da situação na fazenda depois que um dos trabalhadores resolveu abandonar seu alojamento e andar --sem água ou comida-- cerca de 40 km em um atalho aberto na meio da mata fechada para fazer a denúncia ao órgão na cidade.
De acordo com seu relato, ele e dois colegas só poderiam ir embora depois de pagar, com trabalho, alimentos comprados pelo proprietário.
O procurador do Trabalho Rafael de Araújo Gomes afirmou que, ainda assim, a travessia não pode ser considerada uma fuga, já que o fazendeiro Altair Vezentin não o impediu fisicamente de ir embora, apenas o obrigou a andar pela floresta para fazê-lo.
"[Vezentin] Disse que ele [trabalhador] poderia ir, mas os outros dois deveriam ficar para garantir o pagamento do que ele havia comprado para eles comerem, uns R$ 400 em arroz, café, açúcar e óleo", afirmou o procurador.
Antes uma das principais modalidades de trabalho análogo à escravidão, a ligação por dívida é, hoje, uma prática raramente encontrada pela fiscalização. Normalmente, as péssimas condições de alojamento e alimentação é que acabam por configurar o crime.
A discórdia entre os três e o empregador começou quando eles perceberam que o trabalho combinado --preparar o campo para a pecuária-- seria muito mais complicado do que parecia inicialmente.
Eles tentaram então negociar um pagamento mais alto, o que foi negado pelo fazendeiro, segundo o MPT.
A denúncia foi feita na segunda-feira da semana passada, e o procurador chegou ao alojamento na última quinta-feira, quando, com dois policiais militares, prendeu Vezentin --que já foi liberado.
Gomes afirmou que os trabalhadores banhavam-se e bebiam a água de um riacho. Como banheiro, usavam a floresta. Ficavam em uma barraca cujo teto era de plástico.
A Folha ligou para a casa de um irmão de Vezentin, mas não encontrou o fazendeiro. Uma cunhada disse que ele nega a suspeita. Ele também pode ser indiciado por aliciamento de trabalhadores.
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Especial


Enquanto as elites não assumirem publicamente com ações, a sua história escravocrata, esses casos irão se repetir e se perpetuar.
Esperamso também que os próximos governos dêem continuidade ao processo de fiscalização.
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No Governo anterior da elite, foi pego no Para, uma fazenda com quase 300 trabalhadores em regime pior que a escravidão do passado. Viu no que que deu? O dono da Fazenda era amigo do FHC, e pior, na hora de punir ainda descobriu que a fazenda estava em nome de outros. Estes outros eram os verdadeiros donos das terras que tinham morrido de mortes estranhas, e ali eram os posseiros. Posseiros que na hora de tirar emprestimos vultuosos são os donos, administradores e tudo mais. Quem denunciava morria. Sumiam com o dinheiro porque eles não eram donos de nada. E ainda veio o Alckimim querendo revitalizar o projeto SUDAN, que sabia de tudo mesmo assim dava didim pra eles, na ideia ficticia que ia desenvolver a |Amazonia.
Abre os olhos só porque não viamos tanta gente presa neste pais, não significa que estava certo.
A coisa corria frouxa, e agora ainda tem muitas irregularidades, e se houver participação de todos ainda podemos melhorar porque neste governo estamos encontrando apoio para ao menos reclamar por justiça.
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