PMDB quer presidência da comissão que vai analisar reforma tributária
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
As negociações em torno da proposta de reforma tributária vão além do conteúdo das medidas sugeridas pelo governo e examinadas pelos parlamentares. Nos bastidores, os partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputam os principais cargos na comissão especial que será criada exclusivamente para tratar do assunto. O PMDB exige a presidência da comissão para o deputado Edinho Bez (SC).
A exigência dos peemedebistas já foi levada ao ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e aos líderes do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS), e do PT na casa, Maurício Rands (PE).
Além da presidência, o cargo de relator da comissão também provoca uma guerra silenciosa na base aliada. Os petistas insistem em defender o nome do deputado Antonio Palocci (SP), ex-ministro da Fazenda. De acordo com parlamentares, seria um meio de resgatar a dedicação e os esforços dele, após sua saída do governo.
No entanto, o deputado Sandro Mabel (PR-GO), que também pertence à base aliada, planeja ficar com a relatoria da reforma tributária na comissão especial. Segundo aliados, Mabel teria conseguido apoio de todos os partidos exceto o PT.
Porém, entre os deputados ninguém arrisca afirmar quem será vitorioso na briga de Palocci e Mabel. A disputa deve se estender até a próxima semana quando só então deverá ser criada a comissão especial --por ordem do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT).
A comissão especial terá 40 sessões para analisar e votar um parecer sobre a proposta de reforma tributária. Como se trata de uma PEC (proposta de emenda constitucional) a medida deve ser votada em dois turno na Câmara e depois passar por um vagaroso processo no Senado.
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