Dilma nega dossiê e admite banco de dados; FHC pede demissão de responsável
da Folha Online
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) negou nesta sexta-feira a montagem de um dossiê com informações sobre os gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de ex-ministros da gestão tucana com cartão corporativo e contas B. Dilma admitiu, entretanto, a existência de um banco de dados com "20 mil vezes mais informações que um dossiê".
Segundo ela, as informações desse banco de dados seriam remetidas ao TCU (Tribunal de Contas da União) e à CPI dos Cartões --em caso de solicitação das informações.
"Nós afirmamos que é um banco de dados e que a quantidade de informações que tem no banco de dados é 20 mil vezes maiores do que um dossiê. E são essas informações que estão sendo armazenadas na Casa Civil. Seja para fornecer para a CPI seja para informar ao TCU", afirmou a ministra
Reportagem publicada nesta sexta-feira na Folha revela que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito da ministra, ordenou a montagem do dossiê. Para a oposição, esse dossiê foi montado para intimidar os adversários do governo na CPI dos Cartões. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), chamou hoje a Dilma de "aloprada".
"Não há essa história de que existe aloprado, não. Ela é aloprada. Aconteceu o alopramento da ministra Dilma. Ela é aloprada. Isso que aconteceu foi alopramento. Para ficarmos na linguagem amena do presidente Lula", disse o tucano.
Virgílio afirmou que ficou chocado ao saber que Erenice teria ordenado a montagem do dossiê. "Eu considero, e não tem como ela dizer que não preparou isso, que conheci uma pessoa perigosa. Se alguém quisesse montar uma quadrilha e quisesse passar pelo aeroporto sem despertar suspeita de ninguém, poderia colocá-la à testa do negócio, porque ninguém ia suspeitar dela no aeroporto", afirmou.
Em nota, a Casa Civil classificou de "maldosa" a insinuação de que Erenice teria participação no suposto dossiê porque houve apenas a alimentação da base de dados do sistema de informações. "Afinal, trata-se de uma ferramenta de gestão cuja supervisão é competência institucional da secretaria-executiva, na forma do regulamento que disciplina as competências da Casa Civil", argumenta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente José Alencar e o ministro Tarso Genro (Justiça) negaram a existência do suposto dossiê. Pela manhã, Tarso disse que havia apenas uma "sindicância administrativa" destinada a levantar dados sobre gastos com cartões corporativos e contas B. Já Alencar afirmou que as informações eram de "rotina".
Em Alagoas, Lula afirmou que os partidos de oposição destilam "ódio" e estão incomodados com as pesquisas de opinião que são favoráveis ao seu governo. "E estão lá nossos amigos do PSDB, que no primeiro momento trabalharam de forma civilizada. Estão lá nossos amigos do DEM, que tiveram tanta vergonha que mudaram o nome do partido de PFL para DEM. Estão lá destilando ódio. Destilando ódio. Ódio que mesmo eu quando era dirigente sindical não conseguia destilar contra meus adversários. Porque aprendei que na política a gente constrói consenso para beneficiar a sociedade", disse ele hoje no lançamento do programa Territórios da Cidadania, em Delmiro Gouveia (AL).
FHC
FHC defendeu Dilma e pediu a demissão do responsável pela elaboração e divulgação do dossiê sobre os gastos da época em que estava no Palácio do Planalto. Em entrevista ao programa Em Questão, da TV Gazeta, que vai ao ar do domingo à noite, FHC disse que conhece pouco a ministra mas que nunca soube de nada que a desabonasse e que até gostava dela. Disse também que respeitava Dilma pelo fato de ela ter lutado contra o regime militar e que ela deve ter sido enganada no episódio do dossiê.
"Eu não creio que ela tenha telefonado pra Ruth [Cardoso] pra enganar a Ruth. Ela deve ter sido enganada. Agora, corresponde mostrar que foi enganada. Demita quem fez isso. Puna quem fez isso. [...] Eu demitiria quem fez [o dossiê]", afirmou FHC, sobre o fato de Dilma ter ligado para a ex-primeira-dama para negar que a Casa Civil tenha elaborado o suposto dossiê.
Em nota, a Casa Civil critica a reportagem da Folha que diz dar a "entender que a secretária-executiva teria assumido a responsabilidade de 'organizar processo de despesas de FHC, isentando a chefe". "Isso não é verdade. Se 'processo de despesas de FHC', nas palavras do jornal, é sinônimo para dossiê, a secretária-executiva nunca assumiu essa responsabilidade pelo simples fato de que nunca existiu qualquer dossiê", diz a nota.
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"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
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Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
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