Dilma se recusa a depor em CPI e diz que TCU recomendou "banco de dados"
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse, neste sábado (29), em Curitiba, que a secretária-executiva da pasta, Erenice Alves Guerra, montou um banco de dados sobre despesas do governo federal sob "recomendação do TCU [Tribunal de Contas da União]". Ela descartou ir à CPI dos Cartões Corporativos para explicar o vazamento de informações.
A ministra voltou a dizer que o Planalto vai investigar "até o último minuto" para saber quem divulgou os dados. Segundo Dilma, um banco de dados começou a ser montado em 2005 para centralizar os gastos de toda administração daquele ano para a frente.
"O problema é que os gastos sempre foram muito dispersos, e o banco de dados tinha a tarefa de organizar estas informações, que são gigantescas", declarou em entrevista, antes de participar de encontro com empresários no Paraná.
No ano seguinte, Dilma disse que o TCU baixou o acórdão 230/2006 para recuar a organização dos dados para 2002.
"O TCU aprovou o banco de dados e pediu um recuo para 2002." A ministra disse que orientou sua secretária executiva "a cumprir tudo o que Tribunal de Contas pedir".
Dilma declarou que os dados revelados na edição passada da revista "Veja" "são a escandalização do nada", pois os dados ali publicados já foram auditados pelo TCU, e nenhuma irregularidade foi encontrada".
A ministra elogiou decisão da Folha de entregar os dados publicados sobre o dossiê para Erenice Guerra.
"A Folha de S.Paulo teve um postura correta", declarou.
A ministra rejeitou a possibilidade de depor na CPI dos Cartões Corporativo. "O Palácio do Planalto e eu, em particular, temos mais coisas a fazer. Prefiro, e vou dizer com toda a sinceridade, passar 15, 14, 13 horas dentro do Planalto tratando do PAC. Porque tenho certeza que o país vai ter um crescimento e uma distribuição de renda melhores."
Questionada se haveria demissões por causa do vazamento, Dilma optou por não responder. A ministra afirmou que não é candidata à Presidência da República ao ser questionada se o caso do dossiê não seria, de certa forma, uma manobra de opositores para minar suas chances.
"Casos como esse demonstram tentativas de diminuir a importância de nosso país de transformar a máquina pública e de dar a ela instrumentos transparentes de gestão."
A ministra disse que uma sindicância foi aberta para apurar quem vazou os dados. "Vamos investigar até o último minuto. E sabe qual é a minha esperança? É que muita gente viu isso [a circulação dos dados nos órgãos públicos até a entrega a jornalistas]. Nós vamos saber quem fez isso. Estamos confiantes".
Leia mais
- Advogados apontam crime de violação de sigilo em divulgação de dados sobre cartões
- Oposição ameaça criar CPI no Senado caso Dilma não deponha na comissão mista
- Dilma nega dossiê e admite banco de dados; FHC pede demissão de responsável
- Leia a íntegra da nota divulgada pela Casa Civil
- FHC defende Dilma e pede demissão de responsável por dossiê
- Livro reúne balanço de bens de políticos
Especial


avalie fechar
"Segundo o parecer da Procuradoria, "com exceção das imputações feitas nas referidas representações --imputações que não se confirmaram-- não consta dos autos sequer indícios da participação da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ministro da Justiça Tarso Genro e do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República, nos fatos noticiados, nenhuma prova de que partiu da primeira a ordem para a elaboração do dossiê ou para a divulgação dos dados, nem da omissão dos demais na apuração dos fatos". "
Tá bom, vou fazer de conta que eu acredito.
avalie fechar
Só espero que o senado barre essa aquisição do TCU. Se for eleição 50% + 1 ela tá dentro, mas se tiver que ser 2/3 do senado, temos alguma chance para que isso não ocorra.
Prefiro o Múcio, pois não é fiel a ninguém, só a ele mesmo e assim alguma falcatrua sempre sobra e nós ficamos sabendo e podemos pressionar, com a Eunice isso não aocnteceria, apenas o que fosse oposição, o que fosse da casa seria suprimido.
avalie fechar