Brasil
30/04/2008 - 17h59

PSTU prepara criação de entidade estudantil para fazer oposição à UNE

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online

O movimento estudantil pode ganhar outra entidade de representação dos universitários. É que está em processo a criação uma instituição ligada ao PSTU que promete fazer oposição à UNE (União Nacional dos Estudantes).

Esse movimento é liderado pela Conlute (Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes), criada em maio de 2004 no Rio de Janeiro durante o Encontro Nacional Contra a Reforma Universitária.

"Nossa intenção é reunir os estudantes que romperam com a UNE e que são contrários à reforma proposta pelo governo", afirma a coordenadora da instituição, Camila Lisboa. "Estamos mobilizando os líderes estudantis para viabilizar o projeto."

Até a criação dessa entidade --marcada provisoriamente para julho-- a UNE, fundada em 1937, continuará a ser a única instituição que cuida dos interesses dos estudantes de nível superior.

"A UNE já representa os cerca de 5 milhões de universitários brasileiros", diz a presidente da entidade, Lúcia Stumpf. "A criação de uma nova instituição só dividiria os estudantes, que, juntos, têm mais força para reivindicar."

Mas, segundo os dirigentes da Conlute, a principal razão para criar uma alternativa à UNE seria o enfraquecimento dessa durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula, em 2003.

"Uma organização que representa a sociedade civil não pode aderir ao governo", afirma o professor João Zafalão, diretor da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

Ele afirma que a ligação da UNE com o governo Lula ocorre porque a entidade foi dominada pelo PC do B. "A UNE hoje é um braço do PC do B, um dos partidos que apóiam o presidente", diz o professor.

Segundo o historiador Marco Antonio Villa, professor da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) especializado em movimentos sociais, essa ligação entre o partido e a UNE é antiga. "Ela foi tomada pelo PC do B ainda nos anos 1980."

A presidente da UNE nega apoio ao governo Lula e qualquer envolvimento com o PC do B. "Não há nenhuma ingerência do partido em nossas atividades. Somos totalmente autônomos a ele porque a diretoria é formada por representantes de todas as siglas."

Mas ela admite que todos os presidentes da UNE desde a década de 1990 saíram do PC do B. "Eu mesma sou filiada a ele."

Ela acredita que a Conlute não vai muito longe. "Ela é formada por quem só pensa em dividir o movimento estudantil. Ela vai morrer à mingua como a SDE (Social Democracia Estudantil)", diz.

A SDE foi uma alternativa à UNE proposta pelo PSDB em 1999, mas que sobreviveu por apenas dois anos. Sobre a vida curta da entidade, o deputado estadual e presidente nacional da juventude do PSDB, Bruno Covas, desconversa. "Nós cumprimos o nosso papel de questionar a UNE, que se esqueceu das pautas do movimento estudantil", diz.

No próximo mês de julho, a Conlute organizará o Congresso Nacional de Estudantes. O movimento espera a presença de 1.500 delegados, que representarão cerca de 300 mil estudantes das universidades federais e estaduais. É nesse Congresso que será decidido se uma nova entidade de oposição à UNE será criada.

 

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