Acusação de grilagem ameaça vitória de Roriz no primeiro turno no DF
RICARDO MIGNONEda Folha Online, em Brasília
As recentes acusações de envolvimento do governador Joaquim Roriz (PMDB) com a grilagem de terras no Distrito Federal caíram como uma bomba em sua campanha para a reeleição.
Há poucos dias, a vitória de Roriz no primeiro turno era apontada como certa. Hoje, o sinal amarelo está aceso na campanha visando a reeleição do governador. Os índices de Roriz caem nas pesquisas enquanto os de seus adversários mostram ascensão. O mais provável candidato a disputar um eventual segundo turno com o governador é o deputado federal Geraldo Magela (PT).
Os outros candidatos também subiram nas pesquisas. Apesar de adversários nas urnas, os políticos da oposição se uniram na tentativa de impedir a reeleição de Roriz. Hoje, o candidato do PSB ao governo, Rodrigo Rollemberg, encaminhou ao Ministério Público Federal novas denúncias contra o governador.
No documento, de 400 páginas, Rollemberg, que é deputado distrital, requer ao procurador da República Guilherme Schelb o bloqueio dos bens do governador e dos outros envolvidos nas acusações de grilagem de terras e, também, o afastamento de Roriz do governo. Além do PSB, o PT pede o impeachment do governador.
A edição desta semana da revista "Veja" mostra uma reportagem relatando uma conversa entre o governador e o fazendeiro Pedro Passos, acusado de comandar um esquema de grilagem de terras na capital e apontado, numa CPI em 1995, como o maior grileiro do DF.
Na conversa, Passos, que é candidato a deputado distrital pelo PSD, pede e Roriz concorda em mandar suspender a fiscalização sobre a construção de um condomínio numa área pública no Lago Sul.
Passos também conta a Roriz que um subordinado dele, o presidente da Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), Eri Varella, recebeu 20 lotes. O governo não abriu investigação para apurar o suposto pagamento de propina.
Ontem mesmo, em entrevista ao "Jornal de Brasília", Roriz comentou as acusações. O governador disse que não contestou Pedro Passos durante o telefonema porque ele estaria "visivelmente alterado".
"O próprio Pedro, em outro telefonema gravado, afirma que nunca foi beneficiado em nada durante o meu governo. Eu separo as coisas: tenho meus amigos e tenho a responsabilidade de governar o Distrito Federal", afirmou Roriz. "Ele fez umas acusações, mas eu acredito que eram fruto do nervosismo dele", completou.
O governador também disse estranhar o fato de as gravações terem sido divulgadas antes do fim do processo, que segundo ele corre em segredo de Justiça.
"É obviamente uma armação que envolve setores do Ministério Público e o jornal da oposição. A uma semana da eleição, eles divulgam ilegalmente a fita tentando envolver meu nome, mas eu estou muito tranquilo: a população do Distrito Federal sabe que isto é fruto de desespero da oposição, que desce ao nível mais baixo desta campanha", afirmou Roriz.
A conversa gravada com Passos era o que faltava para a oposição pedir a abertura de processo de impeachment contra Roriz. "Está comprovado o envolvimento do governador com o esquema de grilagem de terras. Os indícios são muito fortes", afirmou Rollemberg. O procurador já requereu à Justiça cópia da gravação.
Entenda o caso
O pivô do caso é o Condomínio Chácaras Mansões do Lago. A área de 221 hectares atrás das QIs 27 e 29 do Lago Sul foi loteada como um empreendimento privado dos irmãos Passos, mas invade 127 hectares de terras públicas.
O local é supervalorizado por ficar próximo à Terceira Ponte de Brasília, que está prestes a ser inaugurada. Eri Varela mandou derrubar a cerca do loteamento no dia 8 de agosto
Por trás do imbróglio fundiário estão interesses eleitoreiros. Amigo da candidata a deputada distrital Eurides Brito (PMDB), Varela se irritou com a candidatura de Pedro Passos (PSD) à Câmara Distrital. É que o empresário teria invadido a cidade de Santa Maria, um tradicional reduto eleitoral de Eurides Brito.
Márcio Passos tomou as dores do irmão e reagiu. Ameaçou Eri Varela de morte e quase implodiu a base aliada de Joaquim Roriz ao divulgar uma fita de vídeo em que o deputado distrital e ex-secretário de Assuntos Fundiários Odilon Aires (PMDB) admite ter recebido propina para regularizar condomínios de interesse dos irmãos Passos.
Além de Roriz e dos irmão Passos, aparecem nas gravações o secretário de Comunicação Social do governo, Weligton Moraes, o advogado Salomão Szervinski e o topógrafo Vinício Jadiscke.
Szervinski é parceiro dos irmãos Passos em loteamentos no Lago Sul. Jadiscke está foragido desde o dia 11 de agosto junto com Márcio Passos, após ter um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
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