Oposição chama 3º mandato de golpe; base diz que Lula não quer mudar Constituição
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A oposição reagiu com críticas ao comentário do vice-presidente, José Alencar, que sugeriu ser desejo dos brasileiros que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fique mais tempo no poder. Já os governistas tentaram minimizar a afirmação de Alencar, informando que não há disposição de Lula em defender um terceiro mandato.
"O presidente Lula é um estadista. Ele não vai quebrar a regra do jogo como outros fizeram no passado", afirmou o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).
Segundo ele, o presidente já fechou questão sobre o tema, indicando que não pensa em terceiro mandato.
O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Netto (BA), atacou duramente a possibilidade levantada por Alencar. "Quem defende terceiro mandato, defende o golpe", disse o democrata, afirmando estar surpreso com a reação do vice-presidente da República a quem disse respeitar.
Nesta terça-feira, em entrevista à rádio Bandeirantes, Alencar defendeu hoje um mandato maior para Lula. "O Lula tem feito muito. Mas falta muito por fazer. Sou um democrata. Não aceitamos conversar outra coisa que não seja discutir a democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor", afirmou ele.
Em seguida, Alencar disse que: "Mas eu digo que se perguntar aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder. Porque está bem o Lula, vai bem o Lula. Raramente encontramos um cidadão como ele para dirigir o país".
Segundo o vice-presidente, nos Estados Unidos dos anos 30, o norte-americano Franklin Roosevelt marcou uma época política ao exercer um terceiro mandato. "Nos Estados Unidos tem quatro anos e mais quatro anos [de mandato]. Mas nos anos 30 o Roosevelt teve um terceiro mandato porque os EUA precisavam que ele continuasse", disse.
O secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), disse ser contrário a qualquer alteração na Constituição para autorizar um terceiro mandato ao presidente da República. "Sou contra qualquer modificação casuística no texto constitucional", disse ele. "Isso não seria oportuno."
O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), chamou de "estapafúrdia" a proposta de Alencar. Para o tucano, foi surpreendente a sugestão apresentada por ele em entrevista à rádio.
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