Publicidade

Publicidade
Brasil
03/04/2008 - 07h56

Manifestantes fazem dois reféns em terra indígena de Roraima

Publicidade

ANDREZZA TRAJANO
Colaboração para a Agência Folha, em Boa Vista
JOSÉ EDUARDO RONDON
da Agência Folha
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus

As manifestações de grupos contrários à retirada dos habitantes não-índios do interior da terra indígena Raposa/Serra do Sol agravaram-se ontem na área, no nordeste de Roraima.
Dois homens foram feitos reféns e ficaram retidos por cerca de duas horas por pessoas contrárias à retirada de não-índios.

Os dois homens disseram a integrantes do grupo que estavam a serviço da CER (Companhia Energética de Roraima). Após a liberação, a CER disse que eles não são funcionários da empresa. Um dos manifestantes afirmou que eles seriam "espiões" da Polícia Federal.

A PF nega. Várias manifestações foram feitas desde que começaram a chegar policiais que atuarão na retirada dos não-índios.

Duas pontes foram queimadas na reserva e outras duas estão bloqueadas. O presidente da Associação dos Arrozeiros do Estado, Paulo César Quartiero, preso em uma manifestação, foi solto após pagar fiança.

Em 2005, o presidente Lula assinou decreto que deu a posse da terra aos cerca de 15 mil índios que vivem no local. O governo federal determinou a retirada dos não-índios da região.

Moradores da periferia de Boa Vista foram recrutados para defender arrozeiros e políticos na obstrução aos acessos à reserva e impedir o trabalho da polícia.

Os moradores citam o deputado federal Márcio Junqueira (DEM) e o deputado estadual Ivo Som (PTN) como os apoiadores do recrutamento. Relatam que camionetes passavam pelas ruas de Boa Vista transportando pessoas nas carrocerias. Um deles disse que a população apóia os arrozeiros porque eles geram emprego.

Quartiero negou o pagamento a moradores, mas confirmou o recrutamento. A assessoria de Márcio Junqueira disse que ele não poderia comentar o assunto porque estava incomunicável. A reportagem não localizou Ivo Som.

Ministério da Justiça

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, revela que o grupo de produtores de arroz que resiste em deixar a terra indígena, em Roraima, quer confronto e prepara bombas contra a ação da Polícia Federal.

Segundo Barreto, a negociação foi esgotada e a desocupação da área de 1,7 milhão de hectares acontecerá nos próximos dias.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca