Reitor da UnB não irá renunciar ao cargo, diz assessoria
da Agência Brasil, em Brasília
da Folha Online
O reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, não irá renunciar ao cargo, informou a assessoria de imprensa da instituição na noite desta quinta-feira.
De acordo com a assessoria, não há motivos para a renúncia já que, dentro da história da universidade, ele foi o reitor eleito com o maior número de votos.
Durante a tarde, cerca de 150 estudantes ocuparam a reitoria da universidade para exigir a saída do reitor e dos funcionários ligados a ele.
Os estudantes também pedem a dissolução do conselho da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e a convocação de novas eleições diretas e paritárias.
"Hoje as eleições dentro da UnB funcionam com critérios que nós não concordamos: 70% dos votos são dos professores, 15% dos técnicos administrativos e 15% dos alunos, queremos a igualdade dos votos dos três seguimentos", afirmou o estudante Adriano Dias.
Ocupação
Os universitários prometem manter a ocupação do prédio até que o reitor anuncie seu afastamento. Os manifestantes afirmam que foram cortadas a energia e água do edifício onde estão.
Até às 22h, os alunos que continuavam na reitoria afirmavam que o prédio continuava sem luz e sem água. Eles disseram que só vão se reunir com os representantes da administração superior da universidade quando a situação for contornada.
"Estamos firmes, colocando às claras a situação em que a UnB se encontra hoje. E só aceitamos sentar pra conversar quando ligarem a água e a luz", afirmou o estudante Adriano Dias.
Além dos mais de 100 alunos que se encontram na parte interna da reitoria, há também estudantes que participam de um protesto na parte externa. Agentes da Polícia Federal permanecem do lado fora da reitoria.
"Tentamos mostrar com essa ocupação que não vamos ficar acomodados diante de tantas corrupções, desvios de verbas públicas, privatização da universidade entre tantas outras falcatruas. Esta é uma resposta a tudo que esta acontecendo", garantiu Dias.
Denúncias
Os estudantes afirmam ser inaceitável a relação da UnB com as fundações privadas. Alguns professores acompanham as manifestações.
No começo do mês passado, Mulholland foi à CPI das ONGs no Senado prestar depoimento. Na ocasião foi bastante criticado, embora tenha negado envolvimento com o uso irregular de recursos.
De acordo com as investigações, a Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) utilizou R$ 470 mil na compra de móveis de luxo para o apartamento, além da aquisição de lixeiras, de equipamentos de TV e som, de telas artísticas e vasos com plantas diversas, além de utensílios domésticos.
Mulholland também é acusado de ter usado dinheiro da Funsaúde (fundação ligada à universidade de Brasília) para comprar passagem aérea para a mulher dele --funcionária da UnB cedida para a Câmara-- para uma viagem ao Piauí. A fundação afirmou ter ocorrido um equívoco na compra da passagem aérea.
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