Brasil
07/04/2008 - 11h47

Oposição considera "insuficiente" investigação de dossiê pela PF a pedido de Dilma

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A oposição considerou "insuficiente" a determinação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para que a Polícia Federal investigue o vazamento das informações que deram origem ao dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Líderes do DEM e PSDB temem que as investigações sejam parciais, já que têm como objetivo apurar o vazamento de informações --e não o responsável pela montagem do dossiê.

"O que eu quero saber é a elaboração do dossiê. A ministra [Dilma] chegou a dizer que poderia ser um 'hacker' que invadiu os computadores da Casa Civil. Por que não fazem a investigação completa? É porque não querem encontrar o responsável, querem culpar o sofá", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) à Folha Online.

O senador disse que o objetivo da ministra, ao autorizar o ingresso da PF nas investigações, é passar a imagem de que pretende apurar a montagem do dossiê, embora na prática sua disposição seja ocultar os fatos. "O governo ia fazer uma farsa grosseria, agora vão tentar fazer uma mais sofisticada", afirmou o tucano.

Na mesma linha de Virgílio, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que a PF deve apurar em detalhes a montagem do dossiê, ao invés de centrar as investigações no vazamento das informações. "A ministra [Dilma] pediu para investigar o que é menos importante. O importante é investigar quem fez o dossiê", defendeu.

Na opinião de Agripino, o governo "mudou de idéia" ao solicitar as investigações da PF porque percebeu que não terá como evitar a elucidação dos fatos. "Antes, o governo se negava a qualquer tipo de investigação, mas agora percebe que o cerco está se fechando", disse à Folha Online.

Investigações

O diretor-geral em exercício da Polícia Federal, Romero Luciano Lucena de Menezes, determinou nesta segunda-feira a abertura de um inquérito para apurar o vazamento do dossiê com informações dos gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de ex-ministros da gestão tucana. O inquérito será presidido pelo delegado da PF Sérgio Barboza Menezes.

A PF informou que não pretende dar mais informações sobre o inquérito hoje. O diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, está fora de Brasília (DF) --ele está em Portugal.

Mais cedo, o ministro Tarso Genro (Justiça) divulgou nota informando que já havia encaminhado para a PF a solicitação da ministra Dilma para verificar a necessidade de abrir um inquérito para apurar o vazamento do dossiê.

Para justificar a avaliação da necessidade de investigar o vazamento, a ministra informou que há a possibilidade de crime de violação de sigilo funcional. Em nota, Tarso afirma que há "fundamento" para o pedido da ministra.

Reportagem publicada na edição da Folha desta segunda-feira informa que Corrêa vê elementos que justificam a abertura de um inquérito para apurar o vazamento do dossiê.

De acordo com a reportagem, o Palácio do Planalto quer que a PF investigue quem vazou os dados e quem invadiu os computadores da Casa Civil, mas não deseja apuração sobre eventual motivação política do governo para elaborar o dossiê a fim de intimidar a oposição na CPI dos Cartões.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (236) 19/08/2008 19h45
Alcides Emanuelli (236) 19/08/2008 19h45
O TCU esta fazendo sua parte em fiscalizar os gastos dos funcionários da União ou os gastos sobre as obras que a União faz, mas será que as pessoas que estão lesando o dinheiro da União devolvem esses valores usados indevidamentes sem prestarem contas e usarem sem responsabilidades.
Agora o TCU tem uma meta maior e poderia pedir ajuda para a policia federal é ver todos so custos com atletas e estruturas para nossa delegação que foi para China.
Vamos ser corretos e fazer uma analisa do Balanço desses instituições, aquelas que usarão o dinheiro da União, que nada mais é do que o dinheiro do povo brasileiro.
É bom ver atletas nos representando e eles tem que serrem remunerados por seus trabalhos, como todos que estiveram ligados e fizeram acontecer essas representações, mas não podemos aceitas gastos acima do programado do valor real.
O que aconteceu com o Pan que se programos um custo de 2 bilhões e se gastou 4 bilhões é um absurdo, uma falta de responsabilidade, agora vamos ter responsabilidades e seriedade e fiscalizar esses gastos.
sem opinião
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Luís da Velosa (38) 19/08/2008 15h00
Luís da Velosa (38) 19/08/2008 15h00
É isso que se diz. Se os seviços abertos estão gastando fábulas, nada demais que o serviço secreto gaste colossos!... É necessário, e não peçam especificações. Estão a serviço, no serviço. Aliás, no Brasil é engraçado. Em todo o mundo, um agente secereto se esconde, a ponto de somente - às vezes - se descobrir o que fazia, 40 anos depois, como foi o caso daquele americano... Até eu, vejam, sei ficar calado. Mas, aqui não. Outro dia fui à praia com minha família, e, de repente, chegou ao meu lado um amigo de infância. Conversa vai, conversa vem, ele perguntou-me: você também é do serviço? Não, respondi secamente, mas educadamente, como sempre o faço. Ele ai, me disse: mas eu vi você no almoço, na Base Naval, no dia de ... E disse, o que aqui não vou dizer. Mas, que nada, eu fui mesmo para o tal almoço, aliás, diga-se, uma maravilha. Então a coisa ficou como "fogo de mussurunga"(olhe aí, um bom nome para uma operação secreta), se vê a fumaça, mas não se vê o fogo. Fala Brasil! Meu Brasil, brasileiro... Hoje eu estou bem-humorado. Não?! Pensando bem, eu gostaria de fazer parte do Serviço de Inteligência. Sem brincadeiras, é muito interessante e eu não posso falar! Ciao! sem opinião
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Luiz Antonio França (79) 19/08/2008 13h08
Luiz Antonio França (79) 19/08/2008 13h08
ABIN - Agencia Brasileira de Inteligência ? isso é uma piada, gostaria de saber quem está dentro comandando tudo isso.
Não consegue nem controlar os gastos dos seus previlegiados, mais cabide de emprêgo.
Até onde isso vai parar ?
sem opinião
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