Brasil
07/04/2008 - 21h32

"Não sou bode expiatório nem James Bond", diz Álvaro Dias

DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse hoje que o governo federal não vai achar na oposição um bode expiatório para o caso do dossiê sobre gastos da administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardos.

Afirmando que não é "James Bond" para burlar a vigilância e ter acesso a arquivos sigilosos do Palácio do Planalto, Álvaro Dias disse, em Curitiba, que o governo tenta desviar o foco do escândalo para encontrar culpados no bloco de oposição.

"Acho que o governo procura um [bode expiatório], mas dificilmente encontrará na oposição. O dossiê existe, ele foi elaborado lá no Palácio do Planalto e só alguém que convive no palácio teria condições de vazá-lo para fora. Não há James Bond aqui", disse Dias.

Sobre a fonte que mostrou o dossiê ao senador, informação que o colocou como um dos suspeitos de terem divulgado os papéis, Dias voltou a invocar o direito de não revelá-la.

O senador recorreu ao caso Watergate, que nos anos 70 culminou com a renúncia do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, após uma série de reportagens do jornal "Washington Post" sobre espionagem de adversários políticos, baseadas em fonte anônima batizada de "Garganta Profunda".

Para Dias, está confirmado que o dossiê existe. Ele afirmou que, em fevereiro, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse em encontro empresarial em São Paulo que o governo "não iria apanhar quieto pois tinha bala na agulha" para exibir na CPI dos Cartões Corporativos contra o governo FHC.

"Logo em seguida o jornal 'O Estado de S. Paulo' divulgou em manchete que o governo estava preparando um dossiê sobre contas do governo passado. E ao mesmo tempo lá no Congresso Nacional a liderança do governo aparecia com muita segurança para propor a instalação da CPI. São coincidências que confirmam a existência do dossiê no Palácio do Planalto", afirmou o senador tucano.

Dias disse que não sente ter tido a imagem abalada, dentro ou fora do PSDB, depois de ter confirmado acesso ao dossiê após o assunto ter sido divulgado na revista "Veja".

"Estou cumprindo o meu dever de denunciar o que é ilegal, o que é ilícito, o que é corrupção, o que é arbitrariedade. Pelo fato de eu denunciar, revelar, não posso ser condenado nunca. Não há ninguém dentro do partido que possa me recriminar por ter tido a atitude correta", disse o senador.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (104) 08/07/2008 17h52
Alcides Emanuelli (104) 08/07/2008 17h52
FLORIANOPOLIS / SC
Agora vem explicações, é o judiciario pedindo explicações da Dilma, do Tarso Genro, e assim um fez o dossiê o outro não puniu que deveria ser sua responsabilidade, e o nosso Presidente que é o dono da casa o chefe dos dois não sabia de nada.
Como no Mensalão o Senhor Luiz Inacio não viu nada não sabia de nada.
Eu vi o Ministro dos esporte dizer na televisão que o Presidente confiava nele e deu um cartão coorporativo para ser usado como ele queria, e agora ele usou e abusou não muito mas parece que devolveu, e a senhora do Racismo tambem devolveu os 170.000 que usou ninguem sabe como ninguem ainda provou como usou e a imprensa fala da tapioca que tapioca cara os restos dos 170.000,00 o que foi feito.
Mas esse governo deveria ir representar o Brasil nas Olimpiadas nas provas do achismo eles acham que tudo deve ser de acordo como eles querem e para seus interesses partidarios e pessois isso tudo nada mais é do que uma falta de ética e vergonha na cara dos integrantes desse Poder.
Esse poder que tem espionagem, que tem terrorismo cibernetico, que tem beneficios para os integrantes dos mesmos´, sendo o maior deles a criação de empregos e ministérios.
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Antonio Fouto Dias (1481) 08/07/2008 14h28
Antonio Fouto Dias (1481) 08/07/2008 14h28
E a história continua.
O que o poder legislativo não consegue fazer, o poder judiciário executa.
Estou me referindo ao caso dossiê, considerando-se a blindagem, assim como a impunidade imposta por este governo, que antes de assumir o governo pedia apuração de tudo, entretanto hoje, só faz é bloquear qualquer tipo de investigação que supostamente possa apurar eventuais falcatruas ou ilícitos.
Ficou mais que provado de que o dossiê foi elaborado na Casa Civil e teve intenção de cercear a abertura da CPI dos cartões corporativos, utilizado como contra argumento, de que possuiam elementos que também comprometiam o governo Fernando Henrique, entretanto, não foi suficiente e a referida CPI foi instaurada.
Só restou ao governo blindar aqueles que convinham e jogar o foco ao vasamento e não à elaboração do mesmo.
Entretanto, se confirma de que a justiça pode tardar, mas está sempre presente e, neste contexto, nos resta apenas aguardar o desenrolar dos fatos e torcer para que se faça a verdadeira justiça.
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Marcos Carneiro (11) 08/07/2008 12h29
Marcos Carneiro (11) 08/07/2008 12h29
A Manchete: Juiz pede que STF investigue Dilma e Tarso sobre caso do dossiê.
Nesse Governo NADA se vê, NADA se sabe, e NADA se faz. Nas investigações provavelmente NADA encontrarão. A "CANDIDATA" através da sua mega pasta também usa das mesmas armas, NADA sabe, NADA vê. NADA sabia do "Dossiê" que virou "banco de dados". NADA registrou das reuniões do "advogado compadre do homem" no caso da empresa de aviação. Depois disse que se NADA fizessem seria uma catástrofe nacional. E ainda fala que querem escandalizar o NADA. E o pior de tudo é que estão fazendo de tudo para que NADA os tire do poder. Eu como "simples mortal e brasileiro" NADA posso fazer, a não ser esperar até 2010, e com a unica coisa que me restou, mostrar a eles que a " festa" vai acabar.
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