Coaf não encontra irregularidades em contas de Lorenzetti e petista pede retratação
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não encontrou movimentações atípicas nas contas do petista Jorge Lorenzetti --conhecido como churrasqueiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é acusado de irregularidades na ONG UniTrabalho, da qual é colaborador. O petista disse esperar que, após o ofício do Coaf, a CPI das ONGs faça uma retratação pública para mostrar que não esteve envolvido em irregularidades na UniTrabalho.
"O pedido da minha movimentação financeira foi um absurdo. Fico muito satisfeito com o relatório que mostra que eu não cometi nenhuma irregularidade", disse. "Com certeza eu fui e estou sendo vítima de perseguição e disputa política em função dos eventos de 2006. A atitude da CPI foi mais uma injustiça contra mim", afirmou.
Em relatório encaminhado à CPI das ONGs, o presidente em exercício do Coaf, Paulo Neves Rodrigues, afirma que "no banco de dados do conselho não consta registros de comunicações de operações financeiras" recebidas de entidades ligadas a Lorenzetti".
O petista se reuniu nesta quarta-feira com o presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), quando teve acesso ao ofício. Lorenzetti disse que foi injustiçado por ter sido incluído entre os investigados da comissão. Por este motivo, afirmou estar aliviado com o ofício emitido pelo Coaf.
Ex-coordenador da área de inteligência da campanha à reeleição do presidente Lula, Lorenzetti foi acusado de ser um dos "aloprados" que teria participado da articulação de dossiê com denúncias contra o então candidato José Serra (PSDB) --governador de São Paulo-- nas eleições de 2006. O suposto dossiê teria sido montado pela família Vedoin, pivô da máfia dos sanguessugas.
O petista foi o primeiro diretor-executivo da UniTrabalho entre 1996 e 1998. Mas argumenta que não geriu os trabalhos da instituição durante o governo Lula --apenas teria participado como assessor para assuntos internacionais da UniTrabalho entre 2001 e 2006.
Lorenzetti disse que as acusações de que teria beneficiado a entidade por ser amigo pessoal do presidente Lula "não tem o menor fundamento". O petista atribuiu as acusações à disputa política entre governo e oposição na CPI.
"Eu desafio a encontrar alguma gestão minha em favor de projetos da UniTrabalho por intermédio do governo Lula. Em nenhum momento fiz parte de qualquer gestão financeira da UniTrabalho. Eu sempre vivi de salário, com renda fixa", afirmou.
Desabafo
Lorenzetti afirmou que sua disposição, a partir de agora, é reconstruir a vida ao lado da família com a retomada das suas funções como professor da Universidade Federal de Santa Catarina. "Os danos morais, materiais e pessoais que eu e minha família sofremos são irreparáveis. Eu luto para que minha dignidade se afirme. Foi triste ver o meu nome vinculado a episódios de corrupção", desabafou.
O petista ainda rejeitou o rótulo de "churrasqueiro do presidente Lula", mas reiterou que respeita os profissionais do setor. "Eu não sou churrasqueiro, nunca fui churrasqueiro oficial do presidente Lula. Isso não tem o menor cabimento. Eu também não tenho nenhum churrasco agendado", encerrou.
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