PF prende mais um prefeito suspeito de participar de esquema de fraude
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha
Mais um prefeito foi preso pela Polícia Federal na operação que investiga fraudes contra o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Agora são 17 os administradores municipais que engrossam o contingente de 50 suspeitos presos, conforme números da assessoria da Superintendência da PF em Minas Gerais.
Os presos estão cumprindo prisão temporária em presídios e penitenciárias da região metropolitana de Belo Horizonte porque a carceragem da PF está sendo reformada.
Além dos prefeitos (15 de Minas e dois da Bahia) foram presos um juiz federal, quatro advogados, três secretários municipais, quatro procuradores dos municípios, um gerente da Caixa Econômica Federal e quatro servidores da Justiça Federal.
A PF mantém sob sigilo os nomes de todos os envolvidos no esquema, que pode ter fraudado cerca de R$ 200 milhões. O juiz suspeito foi transferido para Brasília, porque prestaria depoimento à corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Uma juíza também está sendo investigada.
A operação foi desencadeada para pôr fim ao esquema que visava desbloquear, por meio de decisões judiciais, parte dos recursos retidos do FPM para pagamento de dívidas dos municípios com o INSS.
Lobistas atuavam junto às prefeituras, que contratavam, sem licitação, um escritório de advocacia. Com a ajuda de servidores da Justiça, as ações sempre era distribuídas para as varas dos juízes suspeitos.
O presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Walter Nunes da Silva Jr., disse que "torce" para que o juiz preso seja inocente, mas afirmou: "Também temos interesse que, se for responsável e tiver culpa, será punido de acordo com a lei". A associação foi comunicada pela corregedoria do TRF-1 da prisão do juiz.
O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, defendeu "investigação profunda no sentido de que os culpados sejam punidos exemplarmente pela Justiça e os que forem inocentes sejam absolvidos".
Especificamente sobre os advogados presos, disse que, se forem comprovadas as suspeitas, a OAB vai "tomar as medidas previstas no Estatuto da Advocacia, que pode chegar, até mesmo, a sua exclusão dos quadros da entidade".
Colaborou PABLO SOLANO, da Agência Folha
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