Governadora do Pará diz que mineradora Vale "surtou"
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
SILVIA FREIRE
da Agência Folha
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), afirmou à Folha nesta terça-feira que estranhou a maneira "inábil" com que a mineradora Vale vem tratando uma possível manifestação em Parauapebas (PA), no próximo dia 17, para marcar os 12 anos do massacre de Eldorado do Carajás --quando 19 sem-terra foram mortos em confronto com a Polícia Militar.
"Vínhamos conversando, dialogando. E então eles [a Vale] subiram o tom. Foi como um surto", afirmou Ana Júlia, em relação a uma ação que a empresa moveu para obrigar o Estado a proteger suas propriedades na região, onde cerca de 600 trabalhadores rurais estão acampados, e à nota que a Vale soltou na último dia 11, na qual diz haver "uma invasão anunciada e iminente à Estrada de Ferro Carajás". Segundo essa nota, a possível ação seria "um desrespeito ao Estado de direito e uma ameaça à segurança pública que afeta não apenas o setor produtivo do Pará, mas toda a população do Estado".
Antes, em fevereiro, a mineradora já havia pedido e conseguido, na Justiça Federal, uma ordem judicial que impedia integrantes de movimentos sociais de invadir ou ameaçar o funcionamento da ferrovia.
"A atitude deles é, no mínimo, inábil", afirmou a governadora petista, que disse já ter colocado 500 policiais militares em Parauapebas.
A imagem usada por ela para ilustrar a atitude da Vale durante esse episódio é a de "um elefante dentro de uma loja de cristais", para indicar que um escorregão no tom do discurso em relação aos movimentos sociais pode gerar graves conseqüências.
Em nota publicada na noite de ontem, a mineradora afirmou que ação movida contra o governo paraense 'não tem caráter pessoal para qualquer governante e seu objetivo é exclusivo de obter do Estado aquilo que é, constitucionalmente, sua obrigação: prover segurança pública para todos'. Segundo a nota, o primeiro requerimento ao governo do Pará para que providenciasse 'a manutenção da garantia da ordem pública no local' é de 31 de março.
Como não houve "qualquer resposta ao seu requerimento", a empresa "ingressou com uma ação de obrigação de fazer no dia 7 de abril". Somente depois de receber a notificação é que o governo adotou "medidas para a manutenção da ordem pública e segurança da população", afirmou a nota.
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