Ibama encontra pontos de desmatamento em reserva ocupada em Roraima
ANDREZZA TRAJANO
Colaboração para a Agência Folha, em Boa Vista
Com a suspensão da operação de retirada dos arrozeiros da terra indígena Raposa/Serra do Sol, no nordeste de Roraima, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a ANA (Agência Nacional de Águas) começaram a fiscalizar os 20 mil hectares ocupados com o plantio de arroz na área e detectou pontos de desmatamento irregular.
Desde a semana passada, funcionários os dois órgãos sobrevoam as fazendas para colher fotos aéreas e comparar com as imagens de satélite que monitoram a área desde a década de 80. O material colhido até agora, segundo Frederico Fonseca, que coordena a ação, aponta para a existência de desmatamento, inclusive em áreas de preservação permanente, nas margens do rio Surumu. A multa, nestes casos, pode chegar a R$ 5.000 por hectare.
"A supressão da vegetação da mata ciliar provoca o assoreamento do rio e prejudica a fauna e a flora da região", disse Fonseca, do Ibama.
Ele afirma que só com o trabalho de campo, que começa na próxima semana, poderá mensurar o tamanho da devastação e a existência de outros crimes ambientais.
Um dos principais cursos d'água da Raposa/Serra do Sol, o rio Surumu é usado pelos rizicultores para irrigar a plantação de arroz, com bombas movidas por motores a diesel.
Nas incursões aéreas à terra indígena, os fiscais da ANA investigam indícios de que o rio teria sido desviado para facilitar a irrigação.
Para o presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima, Paulo César Quartiero, a acusação de que os arrozeiros promovem danos ambientais não passa de "discurso político, por meio de uma conspiração para internacionalizar a Amazônia".
Ontem, Quartiero (DEM) foi reconduzido ao cargo de prefeito de Pacaraima, depois de ter o mandato cassado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Roraima, acusado de crime eleitoral.
A posse de Quartiero foi autorizada a tarde pelo TRE, uma vez que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou na segunda-feira o acórdão da decisão que o reconduziu ao cargo.
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A questão da demarcação de terras indígenas remonta um velho problema desde os tempos coloniais: qual a parte que lhe cabe neste latifúndio como a música de Chico Buarque, afinal qual a parte que é de direito de um povo que teve sua terra saqueada e ocupada por invasores que detinham o uso da força e também as formas primitivas dum capitalismo nem tão desenvolvido? Não demarcar as terras indígenas é negar a existência dos nativos do país, de seres humanos que a sociedade capitalista não julga de acordo com suas formas e costumes, é abrir caminhos para os grandes latifundiários aumentarem suas propriedades como acontece desde o tempo das sesmarias. Enfim, é negar que esses milhões de pessoas são parte da sociedade brasileira e merecem ser respeitados em sua individualidade e direitos. A não demarcação dessas terras mostra que o Brasil ainda é "fatiado" entre grandes latifúndios, que usam de capangas e outras brechas da legalidade para justificar seu capitalismo selvagem.
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