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Brasil
16/04/2008 - 21h53

Alunos da Unifesp decidem boicotar as aulas em protesto pela saída do reitor

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO
Colaboração para a Folha Online

Os alunos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) decidiram em assembléia realizada na noite desta quarta-feira pedir a renúncia do reitor Ulysses Fagundes Neto e boicotar as aulas até a próxima sexta-feira. Fagundes Neto é acusado de gastar R$ 12 mil em viagens internacionais nos últimos dois anos com cartão corporativo.

Os estudantes decidiram que não vão ocupar o prédio da reitoria da universidade, como fazem os alunos da UnB (Universidade de Brasília) desde o último dia 3 em protesto contra o comando da instituição. "Ainda não é hora", afirmou o coordenador-geral do DCE (Diretório Central dos Estudantes) Thiago Cherbo.

"Na sexta, às 15h, pediremos a saída do reitor em frente a seu gabinete e às 18h vamos realizar outra assembléia", disse o líder estudantil.

Na assembléia de sexta será definido se os universitários continuarão fora das salas de aula ou se, além do boiocote, ocuparão a reitoria.

"Também vamos pedir melhorias sociais aos estudantes e paridade nas votações da Estatuinte", disse Mateus Lima, da coordenação do DCE. São os membros que formam a Estatuinte que definem o estatuto da universidade. A proporção nas decisões é de 70% para os professores, 15% para os alunos e 15% para os funcionários.

A decisão de não entrar nas aulas e pedir a saída do reitor foi tomada no mesmo dia em que Fagundes Neto admitiu que errou ao utilizar os cartões corporativos para comprar objetos pessoais e afirmar que devolveu aos cofres públicos todo o dinheiro utilizado em viagens internacionais.

Para os alunos, a devolução do dinheiro não exclui o fato de que o reitor utilizou verba pública para fins pessoais. "Não dá para confiar em um reitor que comete esse tipo de crime", afirmou Lima.

 

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