Brasil
17/04/2008 - 10h20

Política indigenista é lamentável e caótica, diz general

ITALO NOGUEIRA
da Folha de S.Paulo, no Rio

O comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, afirmou ontem que a política indigenista praticada atualmente no país é "lamentável, para não dizer caótica". Sem se referir especificamente à reserva Raposa/Serra do Sol, no norte de Roraima, o general criticou a separação de índios e não-índios.

A Polícia Federal preparou uma operação para retirar os não-indígenas da reserva. A ação foi suspensa por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal).

"A política indigenista brasileira está completamente dissociada do processo histórico de colonização do nosso país. Precisa revista com urgência. (...) É só ir lá ver as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer caótica", disse Heleno durante palestra no Clube Militar, no centro do Rio.

"Pela primeira vez estamos escutando coisas que nunca escutamos na história do Brasil. Negócio de índio e não índio? No bairro da Liberdade, em São Paulo, vai ter japonês e não-japonês? Só entra quem é japonês? Como um brasileiro não pode entrar numa terra porque é uma terra indígena?", afirmou.

A reserva Raposa/Serra do Sol voltou a ser discutida após a PF se mobilizar para retirar os não-índios do local --a maioria arrozeiros com plantações no local. Ameaçados de remoção e algumas tribos indígenas são contrárias à ação da polícia. Argumentam que a área ocupada pelos arrozeiros é 1% do total da reserva, mas eles seriam responsáveis por 6% da economia do Estado.

O diretor da Sodiur (Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima), o índio da etnia tuxaua Jonas Marcolinom, disse que a influência de ONGs estrangeiras na reserva podem "ameaçar a soberania nacional".

"Se não houver valores que nos una [índios e não-índios], alguns outros valores vão predominar, que podem ameaçar a soberania nacional", disse Marcolino ao concordar com general Heleno ao dizer que os índios devem se "conscientizar que é também brasileiro".

Fronteira

Durante a palestra, Heleno criticou documento da ONU que pede desmilitarização das terra indígenas para a "paz, progresso e desenvolvimento econômico social". "O entrave somos nós?", questionou Heleno. Ele afirmou que os índios "gravitam no entorno dos nossos pelotões porque estão completamente abandonados".

Antes de destacar a quantidade de terras indígenas na faixa de fronteira norte do país, o general Heleno afirmou que o país precisar "estar preparado para a guerra". "Há ameaça de conflitos armados, ainda que não sejam iminentes, mas que podem acontecer devido a um aumento inegável de tensão em algumas relações bilaterais".

Heleno citou 14 problemas diplomáticos na América do Sul que poderiam gerar uma guerra, metade deles no norte do continente, área onde reclama maior atuação nas fronteiras.

"Esse subcontinente extremamente pacífico, que não vai ter guerra nunca, é na verdade um continente que, como aconteceu um mês atrás, pode ter uma séria perturbação que pode rapidamente descambar para uma situação bélica".

Segundo ele, a melhor maneira de evitar uma ofensiva militar na Amazônia é com uma "presença militar fazendo crer que não vale a pena uma ação" na floresta.

O general Mário Matheus Madureira, ex-comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva em Roraima, afirmou que a quantidade de terras indígenas e áreas de conservação atrapalha o desenvolvimento do Estado.

"Se somarem os 46% do Estado de terras indígenas com os 27% de unidades de conservação, verão que sobra muito pouco para que o Estado possa alavancar sua economia".

Comentários dos leitores
Marcos Vinicius Silva (15) 12/07/2008 16h14
Marcos Vinicius Silva (15) 12/07/2008 16h14
BARRA MANSA / RJ
Perguntinha.s E aquelas famílias que têem fazenda a mais de 40 anos lá, vão ter que sair? Não são brasileiro? Não têem direito? Para onde irão? Como viverão? Quem os defendem? São usupadores porque o governo federal os insentivou decadas atrás a se estabeleceram lá para garantir a soberania? Não vejo reportagem sobre essas pessoas, só sobre os direitos dos índio. E o ditreitos dessas famílias? sem opinião
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Marcos Vinicius Silva (15) 12/07/2008 16h02
Marcos Vinicius Silva (15) 12/07/2008 16h02
BARRA MANSA / RJ
Esse negócio de que índio tem que ser preservado e isolado só serve para aqueles ideologos de carteirinha e os interessados na riqueza amazonica. Não somos invasores, somos nascidos neste país e somos donos desta terra como os índios, os invasores já morreram a muito e eles eram europeus. O governo tem a mão fraca para esse assunto. Isso é soberania e ele deveria ouvir mais os militares que entendem mais sobre o assunto de soberania e não ficar fazendo politicagem. O desenvolvimento não atrapalha a cultura, se fosse assim o Japão não teria mais a sua cultura. Tem que restringir sim o acesso a aldeias senão vira bagunça se já não estiver. ìndio já virou massa de manobra a estrangeiros. Suriname(holanda) e as Guaianas(inglesa e Francesa) já têem areas de reseva? Se têem como é ? Janio Quadro quando presidente já tinha planos de invadir esses territorio, pois, já os via como perigo a soberania da América Latina. sem opinião
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Geraldo Buss (143) 07/07/2008 18h12
Geraldo Buss (143) 07/07/2008 18h12
CURITIBA / PR
O General Heleno - que o presidente Lula e o Ministro Jobim fizeram "calar a boca " - já dizia em alto e em palavras bem claras que a política indigenista da FUNAI é simplesmente caótica, agora vem o TCU dizer que a FUNAI não tem nenhum plano a longo e médio prazo para os problemas dos índios. IBAMA/FUNAI/POLICIA FEDERAL devem se manifestar claramente sobre todas as estas críticas que estes órgãos estão recebendo quando o assunto é a situação dos índios/brasileiros. Realmente não dá para entender porque ONGS estrangeiras e "missionários estrangeiros" invadem as reservas indígenas alterando enormemente a cultura das tribos.! 2 opiniões
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