Após disputa na base, Palocci é escolhido para presidir comissão da reforma tributária
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda) vai presidir a comissão especial da Câmara que vai discutir a reforma tributária. Depois de uma disputa interna na base aliada, o PT perdeu o embate e cedeu a relatoria ao deputado Sandro Mabel (PR-GO) --que nos bastidores teve o apoio de todos os partidos da base, com exceção do PT.
O PMDB, que também reivindicava a presidência da comissão, acabou cedendo o cargo a Palocci. Mas conseguiu emplacar o deputado Edinho Bez (PMDB-SC) na vice-presidência da comissão especial. A exigência dos peemedebistas chegou a ser levada ao ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e aos líderes do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS), e do PT na casa, Maurício Rands (PE).
O PT brigava pela relatoria porque, tradicionalmente, é o cargo de maior expressão nas comissões. Os petistas também defenderam o nome de Palocci para a relatoria com o objetivo de resgatar a sua imagem, desgastada desde que deixou o governo sob a acusação de quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa.
Após anunciar os cargos de comando da comissão, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), minimizou a disputa na base. Chinaglia disse que Palocci "manifestou vontade pessoal" para ficar com a presidência, enquanto Bez teria "demonstrado compromisso" com os trabalhos da comissão.
"Não havia a disputa que muitas vezes se imaginava. O líder Maurício Rands fez a defesa que a bancada queria. Todos defenderam os seus, mas com a disponibilidade da composição [da comissão]", afirmou Chinaglia.
O deputado disse que, além de políticas, as indicações dos três parlamentares foram técnicas. "Um foi ministro da Fazenda, outro trabalhou a vida toda nessa área [Mabel]. O deputado Edinho também trabalhou na Caixa Econômica e militou no tema. Todos têm qualificações para as funções", afirmou.
Acusações
Chinaglia também minimizou o envolvimento de Mabel no escândalo do mensalão, além do envolvimento de Palocci na quebra do sigilo do caseiro. Na opinião do presidente da Câmara, os dois estão credenciados para a função independentemente de terem respondido às acusações no passado.
"O deputado Mabel foi absolvido por unanimidade no conselho. No plenário ele também foi absolvido, não há nenhum processo contra ele. (...) Se os líderes da base entendem que os três nomes deveriam ser apresentados, eu não poderia questionar e fazer julgamento pessoal do conteúdo ético e moral", disse.
O presidente da Câmara prometeu instalar a comissão na próxima semana, depois que os líderes partidários indicarem seus integrantes. A disposição de Chinaglia é que a comissão analise a reforma no prazo de 40 sessões plenárias, para que a matéria seja votada no plenário da Casa ainda no primeiro semestre.
"Se houver necessidade de uma brevíssima prorrogação, será feita. Mas vamos votar no primeiro semestre", enfatizou. O governo quer garantir a reforma tributária até o final de julho porque avalia que, no segundo semestre, o Congresso estará esvaziado com as eleições municipais de outubro. "Desta vez, a reforma será votada", afirmou Chinaglia.
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