Brasil
17/04/2008 - 19h59

Lula cobra explicações sobre declaração de general que criticou política do governo

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira com o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o comandante do Exército, Enzo Martins Peri. Interlocutores informaram que Lula cobrou de ambos explicações do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, que ontem atacou a política indigenista do governo federal. Segundo Heleno, a política executada é "lamentável, para não dizer caótica".

Durante palestra realizada no Clube Militar, no centro do Rio, Heleno foi categórico ao criticar o governo, mas sem citar o impasse que envolve a reserva indígena da Raposa/Serra do Sol, em Roraima.

"A política indigenista brasileira está completamente dissociada do processo histórico de colonização do nosso país. Precisa ser revista com urgência. (...) É só ir lá ver as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer caótica", disse Heleno.

O general disse ainda que: "Pela primeira vez estamos escutando coisas que nunca escutamos na história do Brasil. Negócio de índio e não-índio? No bairro da Liberdade, em São Paulo, vai ter japonês e não-japonês? Só entra quem é japonês? Como um brasileiro não pode entrar numa terra porque é uma terra indígena?".

A cobrança de Lula por explicações sobre as críticas de Heleno ocorre justamente no momento que Defesa, Planejamento e as Forças Armadas negociam o reajuste para os militares. A expectativa é que o governo anuncie o percentual a ser concedido para categoria nesta sexta-feira.

Amanhã Lula participa das comemorações dos 360 anos do Exército. A cerimônia será realizada com a presença do presidente, o ministro da Defesa, o comandante do Exército e também dos demais generais que ocupam cargos de chefia na Força.

A expectativa é que o governo anuncie um percentual que será repassado de forma escalonada. Técnicos do governo se reuniram nos últimos dias para definir esses detalhes.

Comentários dos leitores
solange vieira (3) 06/09/2008 15h23
solange vieira (3) 06/09/2008 15h23
Por tudo que tenho lido e pior visto,nada me desaponta mais poque era esperado que com esse governo tudo isso, e ainda coisas piores aindam possam acontecer.Nunca ninguem sabe nada! não sou contra os indios de maneira nenhuma são nossos irmãos,mas as coisas tem limite e tamanho tudo esta fugindo ao controle de todos e nosso exercito que toma conta do povo brasileiro tem que conter tantas loucuras e descontroles em relação a essas demarcaçoes indigenas .E com imensa tristeza que leio alguns comentarios ai nessa coluna.Gente acorda! o problema dos indios ,os sem terra e os sem tetos tudo tem que ser olhado de uma forma relativa.Quem não tem terra de certo tem casa e não quer ser invadido tudo e propriedade privada .Não podemos olhar de maneira egoista so por não temos terra ,acharmos que os indios que eram nativos do brasil tem esse dirieto e invadir propriedades privadas ,regularizadas,impostos pagos . So um cego não ve as coisas erradas,que estão acontecendo.Gente Mato Grosso Do Sul pede socorro ,e um estado altamente produtivo,e não pode virar estado indigena.A cidade de Dourados juntamente com todo o comercio que tambem deu o maior apoio fez uma passeata em solidariedade a os fazendeiros e produtores rurais contra essa louca demarcação. So posso dizer uma coisa rezem e rezem . sem opinião
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pri pri (2) 01/09/2008 21h36
pri pri (2) 01/09/2008 21h36
Demarcação de terras indígenas
A questão da demarcação de terras indígenas remonta um velho problema desde os tempos coloniais: qual a parte que lhe cabe neste latifúndio como a música de Chico Buarque, afinal qual a parte que é de direito de um povo que teve sua terra saqueada e ocupada por invasores que detinham o uso da força e também as formas primitivas dum capitalismo nem tão desenvolvido? Não demarcar as terras indígenas é negar a existência dos nativos do país, de seres humanos que a sociedade capitalista não julga de acordo com suas formas e costumes, é abrir caminhos para os grandes latifundiários aumentarem suas propriedades como acontece desde o tempo das sesmarias. Enfim, é negar que esses milhões de pessoas são parte da sociedade brasileira e merecem ser respeitados em sua individualidade e direitos. A não demarcação dessas terras mostra que o Brasil ainda é "fatiado" entre grandes latifúndios, que usam de capangas e outras brechas da legalidade para justificar seu capitalismo selvagem.
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Adei Louzada de Moura (22) 31/08/2008 22h26
Adei Louzada de Moura (22) 31/08/2008 22h26
No que tange à região Raposa Serra do Sol, em Roraima, espero que prevaleça o bom senso e a responsabilidade para com o futuro do Brasil. Tal ocorrerá se os brasileiros de outras raças que não a outrora chamada "raça vermelha" possam continuar vivendo e trabalhando lá, tanto os que plantam arroz, quanto os que se dedicam a outras atividades. A mim me parece uma mistificação esse insistente dizer que aqueles indígenas serão prejudicados em sendo estabelecidas, por exemplo, cinco reservas ou territórios para as cinco diferentes tribos, o que é lógico e razoável. Como, ao contrário, demarcaram e querem impor a enorme área contínua de 1.700.000 hectares, fica muito difícil os brasileiros que nos preocupamos com nosso destino deixarmos de imaginar que governos, empresas e pessoas norte-americanas e européias, pretensos tutores do planeta, não estejam subjugando os poderes da república brasileira, seja através de admoestações, de promessas ou até de ameaças, as quais, em ocorrendo, estariam sendo mantidas como segredos de Estado, quando, pela boa ética, deveriam ser informadas com transparência para toda a sociedade. Como não pensar assim, se deixar os "brancos" lá, conforme já se leu, significa diminuir os territórios para indígenas em um percentual ínfimo de apenas 5% (cinco por cento), ou seja, diminuir somente 85.000 ha., pelo que as cinco reservas, ainda assim, somariam a enorme área de 1.615.000 há.? Terra de sobre para caçar e pescar. 12 opiniões
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