Brasil
18/04/2008 - 14h33

Lula vai manter demarcação na reserva indígena em Roraima, dizem caciques

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Após receber representantes de 40 povos indígenas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que o governo federal vai manter a demarcação de forma contínua na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Segundo os caciques, o presidente afirmou que não vai alterar o acordo firmado anteriormente, no qual garante as terras para os índios.

Na conversa, os índios reclamaram do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno. Segundo o oficial, em palestra que fez anteontem no Rio, a política indigenista do governo federal é "lamentável, para não dizer caótica".

"Pedimos para o presidente que entenda que nós, as populações indígenas, também defendemos as faixas de fronteira. Não é o que o general disse que nós somos um empecilho. Não somos um empecilho", reagiu o vice-presidente da Coordenação das Organizações Indígenas Brasileiras, Marcos Apurinã.

Ontem, Lula cobrou do ministro Nelson Jobim (Defesa) e o comandante do Exército, Enzo Peri, explicações sobre os comentários do general Heleno. Mas hoje, segundo Apurinã, o presidente evitou criticar o general.

Discussão

Em busca de um diálogo permanente com os líderes indígenas, Lula disse aos caciques que enviaria ainda hoje a proposta de criação do Conselho Nacional Indigenista. O órgão será o responsável por administrar as reivindicações dos povos indígenas e encaminhá-las para as áreas do governo.

Mas antes da provável votação da proposta, o presidente quer se reunir com os líderes indígenas e os ministros das áreas que tratam diretamente das questões relacionadas a eles --Saúde, Educação, Meio Ambiente e Justiça. No final de maio, deve ocorrer o encontro.

De acordo com interlocutores de Lula, o presidente pediu aos caciques que relacionem de forma minuciosa suas queixas e necessidades para que o governo tenha condições de tomar providências.

Acordo

Interlocutores de Lula confirmaram que o presidente determinou que os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Tarso Genro (Justiça) coordenem uma comissão com a presença também do presidente da Funai, Márcio Meira, para que acompanhe no STF (Supremo Tribunal Federal) a questão da reserva de Raposa/Serra do Sol.

Depois de mais de uma hora e meia de conversa com Lula, na qual também estavam Marina Silva, Meira e o ministro Fernando Haddad (Educação), os líderes indígenas confirmaram que o presidente reiterou a intenção de manter a demarcação na reserva, o que sinaliza o objetivo de retirar os produtores de arroz da região.

"O presidente disse que vai manter a retirada [dos arrozeiros]. O que nós sentimos aqui é que o presidente não vai abrir mão da nossa demarcação", afirmou o cacique Jaci José de Souza Macuxi.

Na semana passada, uma decisão liminar do STF suspendeu a operação da Polícia Federal para retirada de não-índios da reserva indígena. Logo depois, Tarso demonstrou seu descontentamento e saiu em defesa da ação policial e da manutenção da política indigenista executada pelo governo federal.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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