Brasil
18/04/2008 - 16h11

General critica política indigenista do governo e estranha cobrança de Lula

Publicidade

LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio

O general do Exército Gilberto de Figueiredo, presidente do Clube Militar, engrossou hoje o coro dos descontentes com a política indigenista do governo federal. Ele saiu em defesa do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que foi cobrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por criticar essa política.

Para Figueiredo, as críticas do general Heleno não ferem nenhuma hierarquia ou disciplina. "A observação do general Heleno foi fruto da angústia de alguém que observa no próprio local a situação aflitiva de algumas comunidades. [...] A política indigenista, todos sabem, está longe de ser consensual, inclusive dentro do governo Lula".

A crítica do general Heleno abriu uma crise entre os militares e o Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem com o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, para cobrar explicações sobre a crítica do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno.

Para Figueiredo, o presidente adotou um tratamento diferenciado ao cobrar explicações do general Heleno, já que ele não questiona os ministros que contestam a política econômica do governo. "É estranho o presidente da República pedir explicações sobre o caso. Não me consta que tenha adotado o mesmo procedimento quando ministros do seu partido contestam publicamente a política econômica do governo", diz Figueiredo em nota.

O general elogiou a política econômica e condenou ações eleitorais do governo. "Aliás, [a política econômica é] uma das poucas coisas que está funcionando coerentemente nessa época em que atitudes voltadas para produzir impacto em palanque são mais importantes do que a ética e a moralidade na condução das gestões políticas."

Caótica

Anteontem, o general Heleno disse que a política indigenista do governo era "caótica" e lamentável". "A política indigenista brasileira está completamente dissociada do processo histórico de colonização do nosso país. Precisa ser revista com urgência. É só ir lá ver as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer caótica."

Apesar das críticas, o presidente da Funai, Márcio Meira, reiterou nesta sexta-feira que o governo federal não vai modificar a política indigenista no país.

Segundo Meira, não há risco à soberania nacional em decorrência da manutenção das demarcações de terras indígenas de forma contínua.

"Não há risco algum à soberania brasileira ao fato de termos terras indígenas demarcadas seja nas faixas de fronteiras ou em qualquer outra área", afirmou Meira, que participou da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com representantes de 40 povos indígenas, no Palácio do Planalto.

A declaração dos generais do Exército ocorrem em meio ao embate entre o governo e os arrozeiros instalados na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. A Polícia Federal foi chamada para retirar os arrozeiros do local, mas o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a operação.

O envio de homens da PF e da FNS (Força Nacional de Segurança) tem por finalidade cumprir em sua totalidade o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, que homologou como terra indígena contínua a Raposa/Serra do Sol.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
avalie fechar
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
avalie fechar
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1253)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca