Brasil
18/04/2008 - 21h32

Conselho indígena condena declaração de general e diz que ficará contra o Exército

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ANDREZZA TRAJANO
Colaboração para a Agência Folha, em Boa Vista

A declaração de que a política indigenista brasileira é "lamentável" e "caótica", feita pelo comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, foi criticada pelo CIR (Conselho Indígena de Roraima), principal entidade favorável à retirada dos não-índios da Raposa/Serra do Sol.

"Se o Exército é contra nós, seremos contra eles também", disse o índio macuxi Dionito Souza, coordenador do CIR. "A homologação de forma contínua [da Raposa] não vai acabar com o Brasil", afirmou.

Para ele, não existe perigo de ocorrer alguma "internacionalização da Amazônia", já que o Exército possui cinco pelotões de fronteira em Roraima. "Nunca impedimos o Exército de realizar o seu trabalho de segurança nas fronteiras. Temos, inclusive, índios militares trabalhando nesses pelotões."

Dionito disse ainda que não entende a "implicância" do general Heleno em relação à terra indígena Raposa/Serra do Sol.

"Se essa fosse a primeira terra indígena a ser homologada, eu até entenderia esse posicionamento preocupado e receoso. Mas existem outras terras indígenas no Estado, onde militares e índios vivem em plena harmonia", disse Souza.

Mas as declarações do comandante da Amazônia foram bem recebidas pelo presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima, Paulo César Quartiero, líder das manifestações contrárias à retirada de não-índios da Raposa/Serra do Sol.

"Não só concordo com o que ele [Heleno] falou como apóio. Finalmente apareceu alguém de coragem para falar sobre o descaso que o governo federal tem com as nossas fronteiras", disse Quartiero.

Com o mesmo entendimento, o presidente da Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima), o índio macuxi Lauro Barbosa, acredita que as declarações do militar mostraram "a todo o Brasil" as fragilidades das fronteiras amazônicas.

"O que ele está falando é verdade. Estamos a beira de uma invasão estrangeira, só não vê quem não quer. Não existe ninguém melhor que o Exército para avaliar os riscos que corremos entregando as nossas terras a ONGs internacionais."

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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