Amorim contraria Lula e diz que Brasil pode alterar tarifas de Itaipu
da Agência Brasil
com Folha Online
Ao contrário do que disse hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. A afirmação foi dada pelo ministro nesta segunda-feira em Acra, capital de Gana (África), onde participa de atividades da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento).
Amorim disse que a medida já foi tomada no passado, apesar de o documento prever que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.
"Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo", disse o ministro.
Amorim afirmou que o mais importante é que exista harmonia entre os países da região. "Mas também não creio que vá haver [chantagem por parte do Paraguai]. Vai haver uma atitude normal de conversa, de encontrar soluções para um país com o qual temos uma relação muito próxima".
O ministro defendeu ajuda brasileira ao país vizinho. Uma das formas é a construção de uma linha de transmissão de Itaipu a Assunção, que aumentaria o acesso dos paraguaios à energia de Itaipu.
"E um absurdo que a energia em Assunção seja ruim, mesmo o Paraguai sendo sócio da maior hidrelétrica do mundo", afirmou Amorim. "Vamos ajudá-lo a fazer linhas de transmissão importantes. É nossa responsabilidade ajudar os países mais pobres da região".
Contradição
O presidente do Paraguai eleito ontem, o ex-bispo Fernando Lugo, declarou que pretende "discutir Itaipu ao máximo". Durante a campanha, ele já havia dito que os US$ 300 milhões pagos pelo Brasil ao país anualmente são "irrisórios" e defendeu um "preço de mercado", entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não vai alterar o tratado de Itaipu. "Nós temos um tratado, e o tratado vai se manter", disse também em Acra.
Ele afirmou que os dois países mantêm constantes reuniões para tratar de outros temas também polêmicos. "Não é apenas a questão de Itaipu, é a questão da nossa fronteira, que é muito grande, envolve vários Estados, é a questão da Ciudad del Leste".
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