Ciro Gomes diz que deveria ter evitado divergência com Leticia Sabatella
da Folha Online
O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse nesta terça-feira que deveria ter evitado a discussão que teve em fevereiro com a atriz Leticia Sabatella no plenário do Senado. Ciro participa hoje da sabatina da Folha, no Teatro Folha, em São Paulo.
Na ocasião, Ciro disse à atriz, com quem tinha divergências sobre a manutenção das obras de transposição do rio São Francisco: "Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes. Mas minha cabeça, não, meu compromisso, não".
Durante a sabatina, ao ser questionado pelo repórter Kennedy Alencar se esta frase não seria um destempero pouco compatível com um político que tem possibilidade de se candidatar à Presidência da República, Ciro admitiu que deveria ter evitado o debate. "É evidente que deveria ter evitado [a discussão], mas passamos mais de sete horas debatendo", afirmou.
"Qualquer destempero é uma atitude incabível para um presidente da República", respondeu Ciro, que defendeu, contudo, que a palavra "cocô" pode ser dita por alguém bem-educado.
"A Letícia é minha querida", disse o deputado. "Ela é colega da minha mulher [a atriz Patrícia Pillar]. Ela virou a porta-voz de uma opinião da qual eu discordo. Mas isso não quer dizer que eu não a respeite."
Ciro ressaltou que não houve um bate-boca com a atriz mas sim uma discordância, pois estavam em um debate popular.
"Estado necessário"
Durante a sabatina, Ciro também afirmou que não é favorável nem a um Estado "máximo", nem ao Estado mínimo, e defendeu o que chamou de "Estado necessário".
"O Estado brasileiro já se apropria de quase 40% da produção nacional", afirmou. Ele disse ainda que o fato de as crianças de classe baixa estarem informadas sobre qual é o padrão de consumo disponível, "o iPod e o tênis Nike", gera pirataria e violência.
"A pobreza sozinha não gera violência", disse o deputado, citando o caso de uma cidadezinha no interior do Ceará onde, segundo ele, a renda per capita equivale a uma pequena fração da média do país, mas que passou dois anos sem registro de homicídio.
Ele afirmou que parte da violência urbana é causada pela frustração das expectativas de consumo, e que a felicidade é hoje definida por "quanto da minha expectativa de consumo é possível realizar".
Sobre a produção industrial e a defasagem tecnológica do país, o deputado afirmou que "o Brasil não superará o hiato tecnológico por espontaneísmo". Ele disse, contudo, que isso não significa estatização, e apontou a alternativa da substituição de importações.
Juros
Perguntado sobre o aumento da taxa básica de juros, o deputado afirmou: "Juro alto é ruim. O [Henrique] Meirelles [presidente do Banco Central] sabe disso". Ele afirma que no cenário atual, com uma "inflação estável", a discussão sobre juros ganhará mais nuances.
Nas duas horas de sabatina, Ciro responde a perguntas do o editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, da colunista Mônica Bergamo, dos repórteres Fernando Canzian e Kennedy Alencar e da platéia.
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