Brasil
22/04/2008 - 13h28

Comissão do Senado quer ouvir general sobre crítica à política indigenista

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Comissão de Relações Exteriores do Senado deve decidir esta semana sobre a convocação do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, que criticou a política indigenista do governo federal. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou à comissão o pedido para que Heleno seja ouvido em sessão reservada com o objetivo de explicar porque considera a política indigenista do governo "lamentável, para não dizer caótica".

A comissão tem sessão marcada para quinta-feira, mas o requerimento de Virgílio não está previsto para entrar em pauta. O tucano, porém, tem a prerrogativa de pedir oralmente a sua inclusão, o que deve garantir que a votação ocorra esta semana.

Virgílio argumenta que o general não deve expor publicamente o seu pensamento sobre políticas do governo, embora seja favorável às críticas do ministro. Em pronunciamento no Senado na última sexta-feira, o tucano disse que "não é papel" do general falar politicamente sobre o governo.

"O general Heleno está completamente coberto de razão, eu assinaria um artigo com as palavras dele. Mas não considero saudável para a democracia que um militar prestigioso e da ativa se manifeste sobre a questão política, porque isso não é a prática da democracia que nós cultivamos. Se está na reserva, tem toda liberdade de fazer isso; se está no serviço ativo, não", afirmou.

Apesar das críticas do tucano, líderes da oposição manifestaram apoio ao desabafo do general. Em nota oficial, o DEM disse que o general foi "ameaçado e intimidado" pelo governo porque solicitou mudanças na política indigenista do país.

O comentário do general fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrasse explicações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do comandante do Exército, Enzo Martins Peri. Depois de cobrar explicações do ministro, o governo considerou o episódio como "assunto encerrado".

Na semana passada, Lula reiterou durante encontro com 40 líderes de povos indígenas que o governo manterá a atual política destinada a essas comunidades, sem alterações. Para o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, a linha de atuação do governo é eficiente e protege os índios.

A declaração de Heleno foi motivada pela polêmica em torno da homologação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. O general é contrário à homologação contínua da reserva, com a presença apenas de povos indígenas no local, porque considera que o Exército deve estar presente na região para assegurar a segurança da fronteira do país.

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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