Brasil
22/04/2008 - 13h49

Eleição de Severino foi tentativa de golpe contra Lula, diz Ciro

da Folha Online

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse hoje que a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para presidir a Câmara dos Deputados, em 2005, foi uma tentativa de golpe contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ciro participou hoje da sabatina da Folha.

"A eleição do Severino foi tentativa de golpe. Era para ele receber o pedido do impeachment [de Lula]. O Aécio Neves [governador de Minas Gerais] foi um dos que ajudou a impedir o Golpe. Mas, antes disso, Severino aderiu ao Lula", disse Ciro na sabatina.

Para Ciro, a tentativa da oposição de convocar filhos do presidente Lula para depor na CPI dos Bingos e do Mensalão também fazia parte desse golpe para derrubar o presidente.

Severino, que presidiu a Casa em 2005, renunciou para evitar uma cassação pelo envolvimento com o caso do mensalinho. Conforme a denúncia, entre 2002 e 2003, Severino cobrou R$ 137,5 mil do empresário Sebastião Buani em troca de manter autorização para explorar um restaurante na Casa. Em 21 de setembro de 2005, renunciou à presidência da Câmara e ao mandato para escapar de processo de cassação e manter os direitos políticos.

Ciro disse que a oposição só percebeu que Severino "não era uma Brastemp" quando ele aderiu ao governo Lula. "Severino aderiu e perceberam que ele não era uma Brastemp."

Ele afirmou ainda que a forma como Severino foi recebido na Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo) foi pitoresca. Na época, Severino fazia campanha contra uma medida provisória que elevava impostos para prestadores de serviços.

América Latina

Perguntado sobre o papel do Brasil na América Latina, o deputado afirmou que o país está fazendo um "avançado esforço" e mostrando "uma certa generosidade" nas recentes questões com a Bolívia e, agora, com o Paraguai, no que se refere ao Tratado de Itaipu.

O deputado afirmou que o Brasil teve uma presença estabilizadora nas recentes questões diplomáticas na região, baseado nos princípios de "não-intervenção, autodeterminação dos povos e de solução pacífica dos conflitos".

Ainda na América do Sul, Ciro foi perguntado sobre a guerrilha colombiana das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). 'Eu abomino a violência. Para mim, as Farc perderam a noção há muito tempo', afirmou. 'Não há pretexto ideológico que justifique seqüestrar uma mulher e deixá-la confinada por anos', disse, em referência à franco-colombiana Ingrid Betancourt.

Já a respeito do presidente da Venezuela, Ciro afirmou que "Hugo Chávez é um produto da Venezuela, para o bem e para o mal".

"Ele [Chávez] é uma pessoa decente, é comprometido com o povo de seu país. Agora, a falta de conteúdo estratégico e a intromissão externa geram isso."

Raposa/Serra do Sol

Ciro comentou também a tensão na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, no norte de Roraima. "Temos uma chaga na nossa história social", disse, referindo-se ao "genocídio" das populações nativas.

Ele afirmou, no entanto, que é contra a demarcação contínua. "Essa seria a primeira vez que tirariam os não índios de uma reserva. Eles são caboclos, miscigenados, não há nenhum ariano. Não faz sentido", disse. "Em Roraima, metade do território do Estado já é ou reserva indígena ou reserva ambiental."

Biocombustíveis

O deputado falou ainda sobre a polêmica envolvendo os biocombustíveis. Na semana passada, o relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Direito à Alimentação, afirmou que a produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços mundiais dos alimentos.

"No caso brasileiro, não há nenhum detrimento da produção de alimentos", disse. Ele afirmou, no entanto, que no caso dos EUA, o etanol produzido a partir de milho subsidiado pode, sim, disputar espaço com lavouras.

Ainda sobre os EUA, o deputado comentou ainda as eleições presidenciais. "A presença do [democrata] Barack Obama, um negro, filho de imigrante, bacharel em direito, pobre de origem, é muito importante para o mundo".

"Porém, se você olhar, o [republicano John] McCain é uma figura extraordinária. Foi preso no Vietnã, mas não virou nem um amargurado, nem um ressentido."

"A Hillary Clinton já mostrou o seu valor, é uma mulher que enfrentou gravíssimas seqüelas devido a uma imprudência do marido", concluiu, a respeito da pré-candidata do Partido Democrata norte-americano.

Cinema

O deputado respondeu ainda a algumas perguntas do público sobre cinema e o relacionamento com a mulher, a atriz Patrícia Pillar. Ele recomendou o filme "Juno", que diz considerar "espetacular", para quem tem filhos adolescentes.

Na sabatina, Ciro respondeu a perguntas do o editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, da colunista Mônica Bergamo, dos repórteres Fernando Canzian e Kennedy Alencar e da platéia.

 

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