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Brasil
24/04/2008 - 07h07

Governadora do RS vai processar deputado por calúnia

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FLÁVIO ILHA
colaboração para a Agência Folha, em Porto Alegre

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou ontem que vai processar o presidente da CPI de Detran, deputado estadual Fabiano Pereira (PT-RS), por calúnia e difamação. A decisão é em represália às afirmações de que a governadora teria comprado um imóvel logo após a campanha.

Segundo o porta-voz do governo gaúcho, Paulo Fona, a governadora está estudando com um escritório de advocacia o tipo mais adequado de ação. A tendência é que Pereira, que tem imunidade parlamentar, seja processado por crime de responsabilidade, já que ele exerce função pública.

A CPI de Detran, instalada na Assembléia Legislativa gaúcha em fevereiro, investiga um desvio de R$ 44 milhões no processo de licenciamento de motoristas no Estado pelo Departamento Estadual de Trânsito. O esquema, segundo a Polícia Federal, funcionava desde 2003.

O imóvel em que reside a governadora foi comprado no dia 6 de dezembro de 2006, 21 dias após a eleição de Yeda para o governo gaúcho. Segundo a matrícula da casa, registrada no dia 12 de dezembro de 2006 no cartório da 4ª Zona de Registro de Imóveis de Porto Alegre, a compradora pagou R$ 750 mil pela transação.

A quitação teria sido feita com um cheque de R$ 510 mil, R$ 40 mil em dinheiro e outros R$ 150 mil oriundos da venda de um apartamento da governadora em Brasília. Outros R$ 50 mil teriam sido financiados junto ao Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) em outubro de 2007.

Pereira classificou a compra do imóvel como "estranha". Segundo ele, a estratégia do governo tem como objetivo intimidar os deputados que investigam as irregularidades do Detran, que envolvem a administração tucana. "Ao invés de me processar, ela deveria dar explicações à sociedade gaúcha", disse.

A CPI do Detran foi motivada pelas investigações da Operação Rodin, desencadeada pela Polícia Federal em novembro de 2007 e que resultou na prisão e indiciamento de 39 pessoas. Entre elas, está o ex-tesoureiro da campanha de Yeda ao governo gaúcho, Lair Ferst, e o então presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, indicado pela governadora.

 

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